Ex-premier italiano absolvido de ligação com a máfia

A mais alta corte criminal da Itália absolveu o ex-primeiro-ministro por sete mandatos, Giulio Andreotti, das acusações de colaborar com a máfia durante sua carreira política. Este é o último veredicto num caso que durou uma década e eletrizou o país. A corte manteve a decisão tomada por uma instância inferior em 2003, de que não há provas suficientes para condenar Andreotti, hoje senador vitalício. No entanto, ao repetir a argumentação de falta de provas e não emitir um veredicto claro de inocência, o tribunal mantém uma sombra de suspeita sobre o político veterano. O processo, iniciado nos anos 90, tem sido visto como um julgamento de todo o sistema político italiano e da democracia cristã que dominou o país por 40 anos, a partir do final da 2ª Guerra Mundial. O Partido Democrata Cristão foi derrubado em meio a escândalos de corrupção. "Estou muito feliz de estar vivo ao final deste julgamento", disse Andreotti, de 85 anos. "Nunca perdi sono por causa disso. Mas outros talvez tenham perdido, por saber que armaram algo sem base". Os promotores de Palermo que processaram o ex-premier basearam-se em mafiosos delatores, incluindo um criminoso que testemunhou que Andreotti trocou um "beijo de honra" com o chefão Salvatore Riina. Os delatores acusaram Andreotti de fazer favores à máfia em troca de votos na Sicília.

Agencia Estado,

15 Outubro 2004 | 14h10

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