AFP PHOTO / MIGUEL ROJO
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Ex-primeira-dama assume vice-presidência do Uruguai

Após uma votação no Parlamento, que aceitou a renúncia de Raúl Sendic, Topolansky, ex-guerrilheira da Frente Ampla, passará a exercer o cargo

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 11h37

MONTEVIDÉU  - A ex-primeira-dama e ex-guerrilheira Lucía Topolansky, de 72 anos, assumiu nesta quarta-feira o cargo de vice-presidente do Uruguai, após a renúncia de Raúl Sendic no sábado.

Após uma votação no Parlamento, que aceitou a renúncia de Sendic, Topolansky passará a presidir a Assembleia Geral (deputados e senadores), posto exercido pelo vice-presidente. Ela foi primeira-dama durante o governo do marido, José Mujica (2010-2015). 

Após a votação, "Lucia Topolansky passará a ocupar a presidência da Assembleia Geral e da Câmara dos Senadores", leu a senadora Monica Xavier, da governista Frente Ampla.

A leitura supõe a posse automática de Topolansky como vice-presidente, ao estar em suas mãos o nexo entre Poder Executivo e Poder Legislativo.

Topolansky, esposa do ex-presidente José Mujica (2010-2015), integra a formação mais votada nas últimas eleições, e isso a colocou na linha de sucessão presidencial.

Mujica, chefe desse grupo, não pode exercer a vice-presidência, porque a Constituição do Uruguai impede um ex-presidente de ocupar novamente a primeira magistratura por até cinco anos após deixar o cargo.

A ex-guerrilha que integrou o Movimento de Libertação Nacional MLN-Tupamaros passou 13 anos presa em sua juventude, pouco antes do golpe de Estado de 1973. Ela é a primeira mulher a ocupar a vice-presidência no Uruguai.

Queda. Sendic apresentou sua renúncia "indeclinável" ao cargo no sábado, 9, depois de se ver envolvido em um escândalo pelo uso de cartões corporativos oficiais e um título acadêmico que não tinha.

"Apresentei ao plenário da Frente Ampla (partido do governo) minha renúncia indeclinável à vice-presidência. Comuniquei também ao presidente Tabaré Vázquez", anunciou Sendic no Twitter, depois de uma reunião do partido.

Sendic renunciou depois de uma decisão do Tribunal de Conduta Política (tribunal ético) de seu partido, a esquerdista Frente Ampla, que se pronunciou sobre seu comportamento em relação ao uso de cartões corporativos oficiais quando era diretor da petroleira estatal Ancap.

A informação, que se tornou pública a partir de um recurso de acesso a dados da empresa iniciado por jornalistas, mostrou gastos de Sendic em lojas de material esportivo, produtos eletrônicos e joalherias no Uruguai e em outros países../ AFP

 

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