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Ex-secretária de Estado registrou ‘mudança expressiva’ de região

Cláudia Trevisan - Correspondente / Washington

11 Junho 2014 | 00h 38

Hillary Clinton vê América Latina como região promissora e critica países ligados ao bolivarianismo do venezuelano Hugo Chávez

WASHINGTON - A América Latina que emerge do livro de Hillary Clinton é uma região promissora, que registrou expressiva redução da pobreza e consolidação da democracia nas últimas duas décadas. “Muitos nos EUA têm um imagem superada sobre o que está ocorrendo em nossa região”, escreveu a ex-secretária de Estado em Hard Choices.

Em sua opinião, mais do que qualquer outro país, o Brasil simboliza essa nova face. “De acordo com dados do Banco Mundial, a classe média na América Latina cresceu 50% desde 2000, incluindo um aumento de mais de 40% no Brasil e 17% no México.”

Tendo por base lições aprendidas em todo o mundo, nós acreditávamos que a melhor maneira de provocar mudanças em Cuba seria expor sua população aos valores, informação e conforto material do mundo exterior. O isolamento só havia fortalecido o controle do poder pelo regime; inspirar e encorajar o povo cubano pode ter o efeito oposto. No início de 2011, nós anunciamos novas regras para facilitaram a visita a Cuba de líderes religiosos e estudantes e permitimos que os aeroportos dos EUA tivessem voos charter (...). Centenas de milhares de americanos agora visitam a ilha anualmente. Eles são publicidade ambulante para os Estados Unidos e os benefícios de uma sociedade mais aberta.

Como era esperado, ela criticou Cuba e os países ligados ao projeto bolivariano de Hugo Chávez, a quem ela considerava um “ditador” dado ao “autoengrandecimento”. Hillary contrasta o país com o Brasil na maneira pela qual ambos trataram protestos contra o governo, o que se transformou em mais uma fonte de elogios à presidente Dilma Rousseff. “Em vez de rechaçar, bater ou prender os manifestantes, como muitos outros países fizeram, entre os quais a Venezuela, Dilma encontrou-se com eles, reconheceu suas preocupações e pediu que eles trabalhassem com o governo para solucionar os problemas.”

A mudança do sistema político em Cuba é uma das preocupações dos EUA na região, mas Hillary admitiu que as sanções econômicas impostas em 1960 não surtiram o efeito esperado e devem ser repensadas. Antes de deixar o governo, ela sugeriu a Obama que reexaminasse o tema. No entanto, isso não é algo que ele possa decidir sozinho, já que a medida foi aprovada pelo Congresso.

Segundo Hillary, as sanções permitem que o regime cubano responsabilize os EUA por seus problemas econômicos e não foram eficazes em promover o que era seu objetivo original: forçar a saída dos Castros do poder. Além disso, a política atrapalha a cooperação com países da América Latina em outros temas, já que a região condena as sanções de maneira quase unânime.

“Depois de quase 20 anos observando e lidando com a política EUA-Cuba, acho que deveríamos transferir para os Castros o ônus de explicar por que eles continuam não democráticos e abusivos.”