Exército dos EUA compra imagens de satélites privados

O exército norte-americano adquiriu direitos exclusivos de imagens feitas por satélites comerciais do território do Afeganistão, apesar de seus próprios satélites serem capazes de obter imagens mais precisaas. O objetivo é obter uma visão adicional do território afegão mas, principalmente, impedir que qualquer outro país ou mesmo veículos de imprensa tenham acesso às imagens da zona de conflito. Às imagens feitas pelo satélite Ikonos somam-se outras, captadas por satélites e aviões militares, disse a porta-voz da Agência Nacional de Imagens e Cartografia, Joan Mears. Ela se negou a informar o valor do contrato, firmado com a empresa Space Imaging Inc., com sede em Denver. O acordo passou a valer em 7 de setembro e calcula-se que esteja na ordem dos milhões de dólares. Um executivo da empresa afirmou que os EUA pagaram não apenas pelos direitos exclusivos, mas pelo tempo que o satélite esteve sobre a área de conflito, o que impede que qualquer pessoa possa ter acesso a essas imagens. As melhores imagens feitas pelo satélite Ikonos têm uma precisão de um metro, o que significa que se pode distinguir objetos desse tamanho. Segundo um diretor da empresa, ?é possível contar os automóveis em um estacionamento, dizer quais são camionetes e quais são sedan e ainda a cor de cada um?. Essas imagens podem custar até US$ 200 por quilômetro quadrado. A resolução das imagens obtidas por satélites militares é um segredo, mas é possivelmente 10 vezes melhor que a os Ikonos, segundo Steven Aftergood, analista da Federação de Cientistas dos Estados Unidos, um grupo não-governamental com sede em Washington. Aftergood disse que os satélites militares poderiam distinguir objetos de até 10 centímetros. Segundo ele, os Estados Unidos poderão usar as imagens do Ikonos em ações militares, porque seus satélites não podem estar o tempo todo sobre a zona de conflito e, nesse caso, o Ikonos serviria como apoio. Além disso, o Taleban, Bin Laden e o público não poderão saber onde está concentrada a observação feita pelos satélites privados. Os órgãos de imprensa costumam comprar imagens por satélite de áreas de conflito. Segundo Aftergood, as imagens não serão usadas no desenvolvimento da guerra. No Afeganistão, diversas organizações podem usar tais imagens para acompanhar o movimento de refugiados e planejar uma maneira eficiente de envio de alimentos e remédios. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Outubro 2001 | 11h08

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