Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Exército preparará abrigo para refugiados

O comandante da corporação aguarda somente o sinal verde da Casa Civil do Palácio do Planalto para uma despesa prevista de R$ 800 mil na preparação de um terreno e um barracão em Pacaraima, onde deve funcionar o centro de triagem e abrigo provisório

Pablo Pereira, Enviado Especial / Pacaraima, Roraima , O Estado de S.Paulo

11 Junho 2017 | 05h00

Pelo menos 35 barracas de lona, com capacidade para abrigar até 10 pessoas cada, estão estocadas no quartel do Exército em Pacaraima, a 212 quilômetros de Boa Vista, aguardando a liberação de recursos para montagem em refúgio provisório de apoio a venezuelanos que chegam ao Brasil.

Outras 40 barracas da Defesa Civil aguardam transporte em um quartel do Exército em Boa Vista. “Temos condições de montar o abrigo provisório em 30 ou 40 dias”, afirmou na quarta-feira o general Gustavo Dutra, comandante do Exército em Roraima. As barracas têm 4,50 metros por 6,5 metros.

O comandante da corporação aguarda somente o sinal verde da Casa Civil do Palácio do Planalto para uma despesa prevista de R$ 800 mil na preparação de um terreno e um barracão em Pacaraima, onde deve funcionar o centro de triagem e abrigo provisório.

Segundo o secretário de Obras de Pacaraima, Arlindo Fontelles, o terreno preparado pelo Exército era usado para um depósito de carros do Departamento Estadual de Trânsito. Para lá, segundo Fontelles, devem ser levados os indígenas que atualmente vivem nas ruas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a área deve abrigar futuramente uma estação da corporação. 

“Não queremos voltar para a Venezuela”, afirmou na semana passada um dos líderes indígenas da etnia warao. “E não queremos sair pra Boa Vista, nem para Manaus”, acrescentou. “Queremos ficar aqui, trabalhar aqui”, afirmou o chefe do grupo, que lidera uma dezena de pessoas, muitas delas crianças.

Ajudados por moradores da região e entidades religiosas de assistência, eles dormem numa esquina, onde também cozinham em fogareiros feitos na calçada. “Chegamos em janeiro. Estamos vivendo de doações e do nosso trabalho por aí”, diz o homem no local por onde já passaram cerca de 300 pessoas recém-chegadas da Venezuela.

A crise de refugiados se agrava desde o ano passado, quando os indígenas começaram a chegar à fronteira reclamando da falta de alimentos que recebiam do governo do presidente Nicolás Maduro. Centenas de warao perambulam pela região do lado venezuelano e nos últimos meses passaram a solo brasileiro.

“A gente ajuda com o que pode”, disse uma moradora da rua, que se mostrou incomodada com a presença dos venezuelanos nos arredores. “Eles estão aí e parece que vão ficar por mais tempo ainda”, reclamou uma comerciante vizinha, dona de um bar na mesma rua. 

Não somente os indígenas estão cruzando a fronteira em busca de ajuda. Há também os não indígenas, chamados pelos warao de “criollos”. “Estou esperando pela documentação”, disse o venezuelano Efren Jonathan Quintana, um “criollo” que deixou El Tigre, em Anzoátegui, a 450 quilômetros de Caracas, para tentar a vida em Pacaraima, a mais de 870 quilômetros.

Ele está alojado com a família sob um palco para festas municipais na cidade. O terreno, de cerca de 100 metros por 30, aproximadamente, é um dos dois locais que podem ser usados para a construção dos abrigos.

Efren pede a quem chega ao lugar ajuda para encaminhar para exames a mulher, de 18 anos, grávida de 8 meses. Eles foram atendidos por médicos no Brasil, mas devem fazer os exames da gestação em Santa Elena, do lado venezuelano. “Não temos dinheiro para os exames”, explica o rapaz.

Mais conteúdo sobre:
Venezuela Roraima

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.