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Explosão de carro-bomba deixa ao menos 34 mortos e 125 feridos na Turquia

Atentado ocorreu próximo a um ponto de ônibus e ao prédio do Parlamento. Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria da ação

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O Estado de S. Paulo

13 Março 2016 | 16h17

ANCARA - A explosão de um carro-bomba matou neste domingo, 13, pelo menos 34 pessoas e deixou outras 125 feridas em Ancara, capital da Turquia. Até o início da madrugada, nenhum grupo terrorista havia reivindicado a ação, mas o governo turco suspeita que o Estado Islâmico ou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) estejam por trás do ataque.

O atentado ocorreu às 16h35 locais (11h35 em Brasília), no Parque Guven, na Avenida Ataturk, perto de uma delegacia, de um ponto de ônibus e do prédio do Parlamento turco. Tiros também foram ouvidos após a explosão. Em seguida, uma nuvem de fumaça subiu e pôde ser vista a 2,5 km de distância, segundo testemunhas. 

De acordo com um alto funcionário do governo turco, o ataque poderia ser obra do grupo Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), que recentemente ameaçou atacar alvos turísticos. O TAK é uma facção dissidente do PKK, que desde 1984 mantém uma insurreição armada no país.

A mesma fonte afirmou que uma BMW teria sido usada no atentado. O carro teria vindo de Viransehir, cidade ao sul do território turco, onde atuam o TAK e o PKK. 

No entanto, o Partido Democrático dos Povos (HDP), ligado à causa curda, emitiu um comunicado em que condena o ataque e se diz solidário com a “grande dor sentida pelos cidadãos”.

Esta é a segunda vez em menos de um mês que Ancara é atingida por uma explosão de grande escala – no mês passado, 29 pessoas morreram em um atentado orquestrado pelo PKK na capital turca. 

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, convocou uma reunião de emergência logo depois do ataque e disse que a explosão do carro-bomba teve como alvo a população civil.

Testemunhas. Dogan Asik, de 28 anos, disse que estava em um ônibus quando ouviu o barulho. “Fomos lançados para o fundo do ônibus com a força da explosão”, afirmou o jovem, que ficou com ferimentos no rosto e nos braços.

Membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Turquia enfrenta múltiplas ameaças à sua segurança. O país participa da coalizão liderada pelos Estados Unidos que luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, na Síria e no Iraque, e ainda enfrenta os militantes do PKK no sul do país, onde um cessar-fogo de mais de dois anos terminou em julho.

A Turquia está há vários meses em alerta máximo depois de uma série de atentados mortais, entre eles quatro ataques atribuídos pelas autoridades ao Estado Islâmico. 

Para os turcos, essas agitações estariam ligadas aos eventos no norte da Síria, onde a milícia Unidades de Proteção do Povo Curdo tem obtido o controle de território sírio enquanto combate o Estado Islâmico e os rebeldes que lutam contra o presidente Bashar Assad. 

Proibição. Um tribunal de Ancara decidiu neste domingo banir o acesso ao Facebook e ao Twitter depois que imagens da explosão do carro-bomba na capital foram compartilhadas em ambas as redes sociais. De acordo com meios de comunicação da Turquia, vários usuários da região relataram dificuldades para acessar as páginas do Facebook e do Twitter imediatamente depois da decisão judicial. /REUTERS, EFE e ASSOCIATED PRESS

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