EFE/EPA/SRDJAN SUKI
EFE/EPA/SRDJAN SUKI

Manifestantes e agentes ficam feridos em protestos contra extremistas alemães

Partido Alternativa para a Alemanha (AfD) abre congresso, neste sábado, entre protestos e forte segurança

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2017 | 09h03

HANNOVER - Agentes e manifestantes ficaram feridos neste sábado, 2, durante protestos contra o congresso nacional da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal partido da extrema direita no país, em Hannover. O evento foi marcado por um forte esquema de segurança policial por causa dos protestos de manifestantes da esquerda contra a legenda.

As forças de segurança tiveram que usar canhões de água para dispersar os grupos de jovens que tentavam bloquear o acesso ao centro de convenções onde o evento será realizado. Em diferentes pontos dessa região da cidade foram registrados confrontos entre agentes antidistúrbios e manifestantes.

Pelo menos dois policiais ficaram feridos, sem gravidade. Além disso, um manifestante também se feriu após tentar se amarrar em um tanque metálico e ser retirado pela polícia.

Os protestos começaram por volta das 6h locais, três horas antes do início da convenção da AfD, o que fez com que alguns delegados do partido se atrasassem para chegar ao evento.

O trânsito no entorno do centro de convenções já tinha sido interrompido pelas forças de segurança, que ainda tiveram que expulsar jovens que queriam bloquear as ruas e impedir a chegada dos delegados da AfD ao evento do partido.

Através do Twitter, a polícia de Hannover pediu que os cidadãos fiquem longe de qualquer ato violento durante o dia. Vários protestos estão marcados ao longo do sábado contra o congresso, um deles no centro da cidade, autorizado pelo governo local.

O objetivo principal do congresso da AfD, que terminará no domingo, 3, é definir os integrantes da cúpula do partido e, a partir dela, uma linha a seguir. A legenda está dividida entre uma corrente mais moderada e outra claramente radical.

Esse é o primeiro encontro dos delegados da AfD desde as eleições gerais de 24 de setembro, quando o partido obteve 12,6% e chegou pela primeira vez ao Bundestag, o parlamento do país. Foi a primeira vez em 50 anos que um grupo de extrema direita chegou ao poder.

No dia seguinte ao pleito, a AfD foi abalada pela decisão de sua copresidente e nome mais midiático, Frauke Petry, de deixar o partido por discordar da linha radical adotada pela legenda.

Seu companheiro na presidência da AfD, Jörg Meuthen, concorrerá à reeleição no congresso deste sábado. A única candidatura anunciada até o momento para a vaga de Petry é a do ex-oficial do Exército e líder do partido em Berlim, Georg Pazderski.

A possibilidade de uma candidatura de última hora de Alexander Gauland, membro da União Democrata-Cristã (CDU) até 2013, quando deixou o partido da chanceler Angela Merkel para se unir à AfD, na época apenas um partido essencialmente contrário à União Europeia.

Gauland liderou a lista parlamentar nas eleições gerais junto com Alice Weidel, representante da ala neoliberal da AfD, e os dois compartilham o dividido comando do grupo parlamentar no Bundestag.

Além da queda de braço entre as diferentes correntes do partido, espera-se que o congresso aborde o processo de expulsão contra o líder da AfD no "land" de Turíngia, Björn Höcke, ligado a neonazistas e considerado pelos moderados como um risco.

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A AfD, fundada em 2013 para reunir pessoas que se opunham à União Europeia, adotou um discurso abertamente xenófobo durante a crise migratória de 2015, quando o país recebeu 1,3 milhões de refugiados.

Dessa forma, o partido começou a ganhar eleitorado e chegou ao Bundestag. / EFE

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