AFP PHOTO / MARTIN BUREAU
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Falsa vítima de atentado no Bataclan é julgada na França

Embora a justiça francesa já tenha condenado 10 pessoas por fraude que se passaram por falsas vítimas dos atentados de Paris e Saint-Denis que deixaram 130 mortos, este caso é particularmente midiático porque o acusado deu várias entrevistas após os fatos

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 15h50

VERSALHES, FRANÇA - O Tribunal Correcional de Versalhes, nos arredores de Paris, iniciou nesta sexta-feira,1, o julgamento de um jovem de 29 anos que afirmou ter sido vítima do atentado jihadista na casa de shows Bataclan em 13 de novembro de 2015, apesar de na realidade não estar no local no momento dos fatos.

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Embora a justiça francesa já tenha condenado 10 pessoas por fraude que se passaram por falsas vítimas dos atentados de Paris e Saint-Denis que deixaram 130 mortos, este caso é particularmente midiático porque o acusado deu várias entrevistas após os fatos.

Em seu relato, que ele mesmo reconheceu ter inventado, assegurava que estava no terraço do Bataclan quando viu homens armados chegarem e atirarem em uma mulher grávida.

Durante um ano, ele foi considerado vítima de terrorismo e ficou meses afastado do trabalho por isso, além de apresentar um pedido de indenização nas instâncias oficiais.

Nesse período, o agora acusado concedeu várias entrevistas e, inclusive, tatuou uma imagem do Bataclan no braço. No entanto, os investigadores começaram a suspeitar de seu testemunho ao conter contradições, em particular, o fato de nenhuma grávida ter morrido nos atentados.

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A análise de sua localização graças ao seu telefone celular permitiu determinar que o acusado estava a 30 quilômetros do local e que não chegou ao mesmo até a meia noite, quando foi visto por várias testemunhas.

Em um primeiro comparecimento em outubro, o acusado reconheceu os fatos, mas o tribunal que o julgou decidiu submetê-lo a exames psíquicos e psicológicos, embora tenha ordenado sua manutenção em detenção até a realização deste novo julgamento.

O crime de fraude pelo qual é acusado pode render uma pena de até cinco anos de prisão. / EFE

 

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