AP Photo/Marta Lavandier
AP Photo/Marta Lavandier

Calor e falta de luz após passagem do Irma matam oito idosos na Flórida

Cerca de 120 idosos foram retirados da residência, por causa do intenso calor e da ausência de eletricidade

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 14h58
Atualizado 13 Setembro 2017 | 20h51

MIAMI, EUA - Efeitos da passagem do furacão Irma pela Flórida, como o colapso no fornecimento de energia no Estado, provocaram nesta quarta-feira a morte de oito idosos em uma casa de repouso da região, em virtude do calor excessivo. Sem ar-condicionado e outros sistemas de refrigeração, os residentes morreram, segundo a polícia local. 

Mais de quatro milhões de lares e lojas ainda não tinham eletricidade no estado, onde vive um grande número de aposentados, e são comuns as temperaturas superiores aos 30º C e forte umidade.

Segundo Tomás Sánchez, chefe de polícia de Hollywood, cidade ao norte de Miami onde se localiza a residência para idosos, se essas vítimas forem acrescentadas oficialmente à cifra de mortos pelo Irma, o balanço provisório será de 20 na Flórida e quase 40 no Caribe.

“Esta situação é inimaginável”, disse o governador da Flórida, Rick Scott, que exigiu respostas sobre como esta tragédia aconteceu. “Peço a todos os serviços de emergência que verifiquem imediatamente (...) se os lares de idosos e de assistência são capazes de garantir a segurança de seus moradores.”

Cerca de 120 idosos foram retirados da residência, por causa do intenso calor e da ausência de eletricidade.

Mais ao sul, a reabertura da estrada para Key West permitiu que os evacuados começassem a retornar aos Keys da Flórida, onde 85% dos lares estão destruídos ou danificados, segundo a Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema). 

“O mais difícil é não ter água ou eletricidade, e não saber quando voltará”, disse Stasia Walsh, de 70 anos, cujo terreno na cidade de Naples foi gravemente impactado pelo Irma.

Hoje, o aeroporto de Miami ainda operava com 50% de sua capacidade, mesmo depois de três dias do furacão. A tempestade também provocou danos e mortes em pequenas ilhas do Caribe e em Cuba.

Ajuda. Como costuma ocorrer nos Estados Unidos depois de catástrofes semelhantes, dezenas de celebridades participaram na terça-feira à noite de um “teleton”, que arrecadou US$44 milhões para os atingidos pelo furacão Irma, e também pelo Harvey, que passou pelo Texas no fim de agosto e provocou gigantescas inundações.

O programa, que contou com o cantor Justin Bieber, os atores George Clooney, Robert de Niro e Julia Roberts, motivou alguns ataques ao presidente americano, Donald Trump, e sua negativa em reconhecer a existência das mudanças climáticas.

“Qualquer um que acredite que o aquecimento global não existe deve ser cego ou estúpido”, declarou o cantor Stevie Wonder, que é cego, com um tom irônico.

“Os efeitos das mudanças climáticas se manifestam em todo o mundo, todos os dias”, assinalou a cantora Beyoncé em uma mensagem de vídeo.

Trump, que tem previsto viajar para a Flórida para avaliar os danos pessoalmente, aproveitou o impacto dos furacões para defender seu projeto político: “com a devastação de Irma e Harvey, os cortes de impostos e a reforma tributária são mais necessários do que nunca”, tuitou. Antes da passagens dos furacões pelos Estados Unidos, o governo americano cortou parte da verba da Fema para proteção contra eventos climáticos. /AFP e WASHINGTON POST

 

Mais conteúdo sobre:
furacão Flórida [Estados Unidos]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.