Falta energia até para expor obras de arte na Venezuela

Museus de Caracas seguem órgãos públicos e diminuem jornada para reduzir consumo de luz

O Estado de S.Paulo

30 Abril 2016 | 07h58

Os grupos de estudantes e turistas que tentaram visitar alguns dos principais museus da capital venezuelana, Caracas, tiveram ontem uma surpresa inesperada: tanto o Museu de Belas Artes quanto o Museu de Ciências, ambos localizados na Praça dos Museus da capital, estavam fechados.

Segundo o jornal El Universal, dois funcionários do Museu de Belas Artes se encarregavam, do lado de fora da instituição, de transmitir a notícia frustrante para os visitantes, sempre com a mesma justificativa: “Fomos obrigados a fechar em razão da crise energética”.

A redução da jornada de trabalho para o funcionalismo público entrou em vigor na quarta-feira, quando o governo do presidente Nicolás Maduro ordenou que, pelo menos durante as próximas duas semanas, o expediente seja reduzido para apenas as segundas e as terças-feiras.

Na ocasião, o governo pediu que os Poderes Judiciário, Eleitoral e Cidadão colaborassem com a medida, fechando seus escritórios durante cinco dias por semana.

Apesar dos riscos que a falta de funcionários nos museus ocasiona para a conservação das obras, um comunicado dirigido a essas instituições ordenou que elas seguissem a redução de jornada ordenada pelo governo.

Pelos cálculos do jornal El Nacional, com a nova regra de funcionamento dos museus – considerando o feriado do Dia do Trabalho, amanhã, 1.º de maio, quando essas instituições também não funcionarão, e levando em consideração que normalmente os museus não abrem às segundas-feiras para manutenção –, nos próximos dez dias, os venezuelanos e os turistas no país só poderão apreciar as obras de arte em dois dias: hoje e na terça-feira.

A situação encontrada ontem pelos visitantes nos dois museus localizado na Praça dos Museus, em Caracas, também se repetiu para quem tentou visitar a Galeria de Arte Nacional (GAN) ou o Museu de Arte Contemporânea (MAC).

No primeiro, um cartaz informa sobre o fechamento da instalação como uma resposta a “emergência elétrica” do país – que enfrenta as sérias consequências de uma rigorosa seca.

No Museu de Arte Contemporânea, a proibição de visitas ao edifício e o fechamento temporário das salas não evitou, no entanto, que o Ministério da Cultura realizasse na quinta-feira um evento e um coquetel que contou com a presença dos funcionários da pasta.

O governo atribui o racionamento à seca que reduziu drasticamente os volumes dos reservatórios das principais hidrelétricas do país, como o caso da represa de Guri, a maior delas.

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