Coleman family / AP
Coleman family / AP

Família sequestrada no Afeganistão em 2012 é libertada por forças paquistanesas

Militares disseram que os reféns haviam sido levados para o Paquistão no dia 11 na quarta-feira; eles foram capturados durante uma viagem ao território afegão pela rede Haqqani

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2017 | 12h07
Atualizado 12 Outubro 2017 | 21h46

RAWALPINDI, PAQUISTÃO - Uma mulher americana e seu marido canadense que eram mantidos reféns de militantes no Afeganistão havia cinco anos foram libertados com seus filhos. Durante o período em que diplomatas e agentes do FBI (polícia federal americana) tentaram sua libertação, o casal teve três filhos nascidos em cativeiro. 

+ Vídeo de casal sequestrado no Afeganistão é antigo, diz Taleban

As Forças Armadas do Paquistão informaram que “por meio de uma operação de inteligência”, cercaram na quarta-feira o local onde a rede Haqqani – uma facção taleban que atua na fronteira do Paquistão com o Afeganistão – vinha mantendo reféns Caitlan Coleman, de 31 anos, e seu marido, Joshua Boyle, de 34, desde 2012. O Exército paquistanês prometeu repatriá-los. As agências de inteligência americanas estavam seguindo os passos dos reféns e sabiam que eles havia cruzado as acidentadas áreas tribais paquistanesas. 

O presidente Donald Trump afirmou que sua administração e o governo paquistanês trabalharam juntos para libertá-los, mas uma fonte americana assegurou ao jornal The New York Times que o serviço de inteligência do Paquistão foi o responsável em planejar a libertação da família após ser pressionado por Washington. O jornal afirmou que não estava claro se alguma ou qual concessão foi feita à rede Haqqani para garantir a libertação da família. 

“Esse é um momento positivo para as relações do nosso país com o Paquistão”, afirmou Trump em um comunicado. “A cooperação do governo americano é um sinal de que (o Paquistão) está honrando o desejo dos EUA de que faça mais para fornecer segurança na região. Esperamos que esse tipo de cooperação e trabalho conjunto ajude a assegurar a libertação de reféns ainda mantidos e, no futuro, nos auxilie nas operações de contraterrorismo.” 

O casal foi sequestrado em outubro de 2012 enquanto fazia mochilão pela Província de Wardak, um bastião militante perto de Cabul. Na época do sequestro, Caitlan, que é da Pensilvânia, estava grávida e deu à luz no cativeiro. Nos anos seguintes, ela teve mais duas crianças, aumentando a pressão para que a situação já desesperadora fosse resolvida. 

O casal não embarcou imediatamente num avião rumo aos EUA devido à preocupação de Boyle de que possa enfrentar escrutínio americano por ligações com um antigo preso de Guantánamo, disse um funcionário do governo americano.

Falando sob condição de anonimato, o militar americano disse à agência France-Presse que a família estava hesitante sobre pegar o jato do Exército americano. 

Em 2009, Boyle foi casado por pouco tempo com Zaynab Khadr, irmã do canadense Omar Khadr, que passou uma década em Guantánamo – prisão militar americana na ilha de Cuba. 

No entanto, o militar disse que Boyle não será sujeito a nenhuma consequência se embarcasse na aeronave dos EUA. Segundo o Times, ele seguiria para o Canadá enquanto a mulher e os filhos iriam para os EUA. “Não é nossa intenção fazer qualquer coisa assim. Estamos preparados para trazê-los para casa”, afirmou o funcionário do Exército.

A libertação inesperada dos reféns coincide com um momento de tensão nas relações entre EUA e Paquistão, após um discurso no qual Trump foi muito crítico com o país em agosto passado. / THE NEW YORK TIMES e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.