AFP PHOTO/The Korea Press Photographers Association
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Famílias separadas pela Guerra da Coreia se reúnem pela primeira vez em mais de 60 anos

Mais de 400 norte e sul-coreanos se encontraram em um complexo turístico no monte Kumgang

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 11h10

SEUL - Mais de 400 integrantes de 96 famílias das Coreias do Norte e do Sul se reuniram nesta terça-feira, 20, pela primeira vez em mais de seis décadas, em um encontro de parentes separados dos dois países realizado no complexo turístico do monte norte-coreano de Kumgang.

Os 389 sul-coreanos e 141 norte-coreanos mantiveram um encontro coletivo durante duas horas. O evento é o primeiro das duas rodadas de reuniões que acontecerão até a próxima segunda-feira, informou o Ministério da Unificação de Seul. A reunião foi marcada por lágrimas, abraços e fotografia antigas.

“Pai, sou eu, seu filho”, disse Chae Hee-yang, de 65 anos, da Coreia do Sul a Chae Hoon-sik, de 88 anos, da Coreia do Norte. Eles não se viam desde que o mais novo tinha apenas um ano.

Lee Heung-jong, norte-coreano de 88 anos, se encontrou com sua irmã Lee Heung-ok, de 80 anos e ficou muito emocionado. A emoção foi ainda maior quando foi apresentado a sua filha, a sul-coreana Lee Jung-sok, de 68 anos.

Após a reunião, realizada em um grande salão de festas, haverá um jantar coletivo e apenas amanhã os integrantes das famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953) poderão passar um tempo a sós. O conflito foi um dos mais sangrentos da história, com cerca de 3 milhões de mortos.

O norte-coreano Chae Hoon-sik e a sul-coreana Lee Ok-yeon, ambos de 88 anos, se encontraram pela primeira vez desde agosto de 1950, quando ele recebeu uma ordem para abandonar a sua casa e se preparar para o combate.

Autoridades de Seul e Pyongyang entregaram aos participantes um documento com normas e restrições durante os encontros, como, por exemplo, não falar de política.

Na próxima quinta-feira, os familiares se despedirão sem a certeza de que voltarão a se ver, já que a fronteira entre as duas Coreias permanece fechada e os dois governos proíbem contatos não autorizados entre cidadãos das duas metades da península.

Os encontros continuarão no sábado com uma segunda rodada na qual mais 90 famílias divididas se reunirão durante três dias até a segunda-feira.

O primeiro encontro de famílias aconteceu em 1985 e, desde então, foram organizadas 19 edições, quase todas na última década, nas quais participaram por volta de 18,8 mil pessoas de ambos os lados.

A reunião de hoje é a primeira desde fevereiro de 2014 e acontece graças ao acordo selado entre Seul e Pyongyang em agosto para pôr fim à tensão militar e melhorar suas relações. /EFE e REUTERS

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