Clinton Police Department/Handout via REUTERS
Clinton Police Department/Handout via REUTERS

FBI investiga ataque a indianos como possível crime de ódio

Homem atirou contra dois engenheiros indianos no Estado do Kansas, matando um; antes de disparar, gritou para que eles 'deixassem seu país'

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2017 | 17h29

OLATHE, EUA - Um ataque a tiros em um bar no Estado americano do Kansas que deixou um engenheiro indiano morto e outro ferido ganhou proporção ontem de um incidente internacional em meio aos temores de que a ação foi motivada por preconceito e ódio. Autoridades nos EUA, incluindo agentes do FBI, estão investigando o caso como um possível crime de ódio, e o governo da Índia expressou estar em choque com o episódio que ocorreu na cidade de Olathe. 

Em Nova Délhi, o episódio chamou a atenção para o tratamento aos estrangeiros nos EUA, onde o presidente Donald Trump tem fechado o cerco contra imigrantes e refugiados de países predominantemente muçulmanos como uma política central na sua agenda “América em Primeiro Lugar”. 

O ataque ocorreu na noite de quarta-feira. Pelo menos uma testemunha disse que o atirador, identificado pelas autoridades como Adam W. Purinton, de 51 anos, gritou “saiam do meu país” antes de abrir fogo, segundo reportagem do Kansas City Star. Um garçom de um restaurante na cidade de Clinton, no Missouri, onde mais tarde Purinton foi capturado, disse que ele ouviu o homem dizer que havia matado “homens do Oriente Médio”. 

Um americano de 24 anos que tentou intervir após ouvir o discurso racista do atirador também foi baleado e levado a um hospital. 

Citando ética judicial e alegando que o inquérito ainda estava em andamento, investigadores americanos não deram detalhes específicos sobre as alegações contra Purinton, que foi acusado na quinta-feira de assassinato premeditado em primeiro grau. O governo federal pode ainda apresentar acusações de violação dos direitos civis contra Purinton. 

O procurador do Condado de Johnson, no Kansas, pediu uma fiança de US$ 2 milhões para a libertação de Purinton. Ele passou algum tempo na Marinha, de acordo com um site no qual os militares podem se inscrever e procurar companheiros de operações. Purinton, que tem certificados de piloto privado e controlador de torre, também trabalhou na Administração da Aviação Federal. 

O homem morto, Srinivas Kuchibhotla, trabalhava para o Garmin, uma companhia de equipamentos de navegação GPS . O indiano ferido, Alok Madasani, também trabalhava para o Garmin, segundo o governo indiano. Eles tinham cerca de 30 anos. / THE NEW YORK TIMES

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