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Felipe Calderón é o novo presidente do México

Agencia Estado

05 Setembro 2006 | 14h 48

A principal corte eleitoral mexicana nomeou nesta terça-feira o candidato governista Felipe Calderón como novo presidente do México. A decisão veio após dois meses de disputas acirradas entre Calderón e o oposicionista Andrés Manuel López Obrador, que reivindicava uma recontagem total dos votos do pleito de 2 de julho. O Tribunal Eleitoral Federal (TEF) mexicano rejeitou de forma unânime as alegações da oposição de que as eleições teriam sido marcadas por fraudes, e confirmou a vitória de Calderón por uma pequena vantagem. López Obrador já anunciou que não reconhecerá a decisão. Seus partidários choraram ao ouvir o anúncio da decisão, e a corte estremeceu com a queima de fogos por parte dos manifestantes do lado de fora do edifício. "Isso foi fraudulento do começo ao fim", disse Claudio Martinez, de 23 anos. Calderón, que se manteve recluso no escritório de seu partido, terá que lidar com milhões de mexicanos revoltados com o fracasso de Fox no cumprimento de suas promessas de amplas mudanças, e com milhares de esquerdistas radicais que dizem que farão de tudo para enfraquecer sua presidência. A contagem oficial de votos pela corte reduziu a vantagem de votos de Calderón de 240.000 para 233.831 votos, de um total de 41.6 milhões. A juíza Alfonsina Berta Navarro Hidalgo disse que a corte encontrou evidências de problemas, mas não o suficiente para anular a eleição. "Não há eleições perfeitas", afirmou. A tão esperada decisão tomada nesta terça-feira pelo Tribunal Federal Eleitoral - que vem com dois meses, três dias e dezenas de milhares de páginas de disputas legais - não deve acabar com os protestos explosivos em potencial, ou terminar com a crescente divisão política do país. A Corte rejeitou as alegações de que López Obrador teria feito uma "campanha suja", mas Fox colocou a eleição em risco ao fazer comentários sobre a campanha. Lopez Obrador havia reclamado que uma propaganda que o comparava ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, afetava as eleições de forma ilegal. Mas a corte afirmou que enquanto a propaganda tinha um forte impacto, não era o suficiente para mudar o resultado. A Corte também alegou que Obrador usou suas próprias propagandas de ataque contra Calderón. A Corte afirmou não haver "conexão lógica" para as alegações de Obrador, de que os anúncios de empresas pró-Calderón veiculados na televisão teriam mensagens subliminares em favor de Calderón. A Corte também rejeitou as alegações de que a novela mais popular, "La Fea Mas Bella", indiretamente apoiava Calderón, e disse que não há evidências de que autoridades eleitorais teriam agido de forma a prejudicar o esquerdista. A decisão do tribunal é final e não cabe apelações. O presidente da Corte, Leonel Castillo, pediu aos mexicanos que se unam e ajudem a sanar as profundas divisões que a eleição revelou. "Espero que possamos concluir este processo eleitoral deixando os confrontos para trás", afirmou. Nenhum dos candidatos esteve presente durante a sessão. Lopez Obrador teve seu café da manhã com legisladores de seu partido, o Democrático Revolucionário, e então se dirigiu à sua barraca de protesto na praça Zocalo, na cidade do México, onde tem dormido há quase dois meses. Ele foi saudado por seus partidários que gritavam: "Você não está sozinho". O assessor de López Obrador, Manuel Camacho, disse à agência de notícias Associated Press, que a recomendação da corte "não leva em consideração o que está acontecendo atualmente no país". "A Corte será seriamente questionada sobre a sua decisão", afirmou. Ônibus com tropas de choque faziam a segurança do escritório de campanha de Calderón, onde ele era esperado para a celebração de sua vitória, na terça-feira a noite, e após declaração na televisão nacional.

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