1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Fidel diz que Cuba não precisa de presentes dos EUA e não esquecerá o passado

- Atualizado: 28 Março 2016 | 11h 03

Em um artigo intitulado ‘O irmão Obama’, ex-líder cubano afirmou que presidente americano usou as ‘palavras mais açucaradas’ durante discurso

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que, apesar da recente visita de Barack Obama, a ilha não precisa de presentes dos EUA, e não esquecerá o passado de confrontos com Washington.

"Não precisamos que o império nos presenteie com nada", escreveu Fidel, de 89 anos, em um artigo publicado nesta segunda-feira, 28, no jornal oficial Granma, com o título "O irmão Obama", uma semana depois da histórica visita do presidente americano ao país.

Barack Obama visita Cuba acompanhado de sua família
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
Obama visita Cuba

No último dia da sua visita a Cuba, o presidente Barack Obama foi com a família ao emblemático Estádio Latino-Americano de Havana para assistir ao amistoso entre a seleção de Cuba e o Tampa Bay Rays, da Flórida. Na chegada, ele conversou com a viúva do jogador Jackie Robinson, Rachel Robinson

Fidel afirmou que o povo deste "nobre e abnegado país" não renunciará "à glória, aos direitos e à riqueza espiritual que ganhou com o desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura".

"Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivem neste planeta", precisou Fidel no artigo.

Ele também analisou o discurso que Obama fez ao povo cubano durante sua visita à ilha, a primeira de um líder americano à Cuba revolucionária. "Somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas materiais que necessitamos com o esforço e a inteligência de nosso povo", ressaltou Fidel.

Sobre as declarações de Obama a favor de "esquecer o passado e olhar para o futuro", o ex-presidente cubano considera que o americano utilizou as "palavras mais açucaradas", e afirmou que os cubanos correram "o risco de um infarto" ao escutar o presidente dos EUA falar de cubanos e americanos como "amigos, família e vizinhos".

"Após um bloqueio impiedoso que durou quase 60 anos, e os que morreram nos ataques mercenários a embarcações e portos cubanos, além de invasões mercenárias, múltiplos atos de violência e de força?", questiona Fidel.

Segundo ele, "um dilúvio de conceitos inteiramente inovadores" entraram na mente dos cubanos que o escutavam quando este afirmou que sua visita a Cuba tinha o propósito deixar para trás a Guerra Fria nas Américas e de estender uma "mão de amizade" ao povo cubano.

Os acordos entre EUA e Cuba desde a retomada das relações diplomáticas
Reuters
15 de fevereiro de 2015 - Fábrica

EUA aprovam a construção de uma fábrica americana em Cuba. A permissão foi concedida pela administração Obama à empresa Cleber LLC, formada por dois ex-engenheiros de software do Estado do Alabama

Fidel lembra a Invasão de Baía dos Porcos, quando em 1961 "uma força mercenária com canhões e infantaria blindada, equipada com aviões, foi treinada e acompanhada por navios de guerra e porta-aviões dos EUA, atacando de surpresa nosso país".

"Nada poderá justificar aquele ataque que custou a nosso país centenas de baixas entre mortos e feridos", lembra Fidel Castro, sobre aquele acontecimento que aprofundou a divisão entre EUA e a Cuba revolucionária.

Fidel Castro também criticou que nas declarações de Obama sobre a origem mestiça tanto de Cuba como dos EUA, não mencionou que "a discriminação racial foi varrida pela Revolução", que aprovou "a aposentadoria e o salário de todos os cubanos" antes de o presidente americano "completar dez anos". /AFP e EFE

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX