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AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

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Fidel diz que Cuba não precisa de presentes dos EUA e não esquecerá o passado

Em um artigo intitulado ‘O irmão Obama’, ex-líder cubano afirmou que presidente americano usou as ‘palavras mais açucaradas’ durante discurso

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O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 10h42

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que, apesar da recente visita de Barack Obama, a ilha não precisa de presentes dos EUA, e não esquecerá o passado de confrontos com Washington.

"Não precisamos que o império nos presenteie com nada", escreveu Fidel, de 89 anos, em um artigo publicado nesta segunda-feira, 28, no jornal oficial Granma, com o título "O irmão Obama", uma semana depois da histórica visita do presidente americano ao país.

Fidel afirmou que o povo deste "nobre e abnegado país" não renunciará "à glória, aos direitos e à riqueza espiritual que ganhou com o desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura".

"Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivem neste planeta", precisou Fidel no artigo.

Ele também analisou o discurso que Obama fez ao povo cubano durante sua visita à ilha, a primeira de um líder americano à Cuba revolucionária. "Somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas materiais que necessitamos com o esforço e a inteligência de nosso povo", ressaltou Fidel.

Sobre as declarações de Obama a favor de "esquecer o passado e olhar para o futuro", o ex-presidente cubano considera que o americano utilizou as "palavras mais açucaradas", e afirmou que os cubanos correram "o risco de um infarto" ao escutar o presidente dos EUA falar de cubanos e americanos como "amigos, família e vizinhos".

"Após um bloqueio impiedoso que durou quase 60 anos, e os que morreram nos ataques mercenários a embarcações e portos cubanos, além de invasões mercenárias, múltiplos atos de violência e de força?", questiona Fidel.

Segundo ele, "um dilúvio de conceitos inteiramente inovadores" entraram na mente dos cubanos que o escutavam quando este afirmou que sua visita a Cuba tinha o propósito deixar para trás a Guerra Fria nas Américas e de estender uma "mão de amizade" ao povo cubano.

Fidel lembra a Invasão de Baía dos Porcos, quando em 1961 "uma força mercenária com canhões e infantaria blindada, equipada com aviões, foi treinada e acompanhada por navios de guerra e porta-aviões dos EUA, atacando de surpresa nosso país".

"Nada poderá justificar aquele ataque que custou a nosso país centenas de baixas entre mortos e feridos", lembra Fidel Castro, sobre aquele acontecimento que aprofundou a divisão entre EUA e a Cuba revolucionária.

Fidel Castro também criticou que nas declarações de Obama sobre a origem mestiça tanto de Cuba como dos EUA, não mencionou que "a discriminação racial foi varrida pela Revolução", que aprovou "a aposentadoria e o salário de todos os cubanos" antes de o presidente americano "completar dez anos". /AFP e EFE

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