AFP PHOTO / ACN / OMARA GARCIA MEDEROS
AFP PHOTO / ACN / OMARA GARCIA MEDEROS

Fidel Castro participa do encerramento do 7º Congresso do Partido Comunista

Nesta terça, último dia da reunião dos delegados do partido único da ilha comunista, o presidente Raúl Castro também foi confirmado na liderança do PCC

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 16h00

HAVANA - O líder cubano Fidel Castro participou nesta terça-feira, 19, ao lado de seu irmão, o presidente Raúl Castro, do encerramento do 7º Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC, partido único na ilha), onde foi recebido com uma salva de palmas, de acordo com a imprensa oficial do país.

"Em breve completarei 90 anos. Nunca poderia imaginar isso e nunca foi resultado de um esforço, foi puro acaso. Em breve, serei como todas as outras pessoas", afirmou o líder cubano afastado do poder em 2006 por problemas de saúde que reconheceu que "talvez (essa) seja uma das últimas vezes" que falará no Congresso do PCC, segundo o texto do discurso divulgado pela imprensa oficial cubana.

"A hora de todo mundo vai chegar, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, quando se trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos precisam", afirmou Fidel Castro.

O ex-presidente instou os comunistas cubanos a transmitir para o mundo e para a América latina que "o povo de cuba vencerá" e indicou aos 1 mil delegados do Congresso do Partido Comunista que essa é a "maior honra que recebeu em toda sua vida", ao que "se soma o privilegio de ser revolucionário".

"Por que me tornei socialista? Mais claramente, por que me converti em comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por parte daqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres - que foram privados de todos os bens materiais que proporcionam o trabalho, o talento e a energia humana", expressou Fidel.

O líder cubano explicou que descobriu o socialismo com 20 anos, quando estudava direito e ciências políticas, "sem um mentor" para ajudá-lo no estudo do marxismo-leninismo, numa época em que tinha "total confiança" na União Soviética.

"Não devem se passar outros 70 anos para que ocorra um acontecimento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grandiosa revolução social que significou um enorme passo na luta contra o colonialismo e seu inseparável companheiro, o imperialismo", completou Fidel.

Esta é a segunda vez que Fidel aparece em público este mês, depois de no último dia 7 ele ter participado de um tributo à Vilma Espín, mulher de Raúl, falecida em 2007 e considerada uma das heroínas da Revolução.

Deliberações. O partido informou que Raúl terá um segundo mandato como chefe do Partido Comunista e outros políticos no poder desde a revolução de 1959 também manterão seus cargos, apesar de um plano de abrir espaço para líderes jovens.

Ao final do congresso, o primeiro em cinco anos, o PCC informou que foram reeleitos Raúl, como primeiro secretário, e José Ramon Machado Ventura, de 85 anos, como segundo secretário. Jovens não foram eleitos. 

Em uma mostra do sigilo que envolveu o congresso do partido, os discursos de encerramento e resultados do evento político mais importante do país não foram transmitidos ao vivo na TV estatal, que no lugar disto transmitiu uma novela.

Além das decisões sobre a direção do partido, o 7º Congresso dos comunistas cubanos, que começou no sábado passado, aprovou, entre outros assuntos, os documentos sobre o andamento do plano de reformas iniciado há cinco anos, o plano econômico até 2030, assim como o Relatório de Raúl Castro, no qual propôs limites máximos de idade para integrar os órgãos de governo do PCC e encaminhar um substituto.

O encerramento do encontro coincide com a data em que é lembrado o 55º aniversário da vitória de Cuba após 72 horas de enfrentamentos com forças financiadas pelos Estados Unidos que invadiram a Baía dos Porcos, destacada na ilha como a primeira derrota do império estadunidense na América Latina. / EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.