Filha de líder das Madres de Plaza de Mayo é torturada

A filha da líder das Madres de Plaza de Mayo Hebe Bonafini, María Alejandra, foi barbaramente torturada por desconhecidos que invadiram sua casa nos arredores de Buenos Aires na sexta-feira, informaram hoje fontes locais. A agressão sofrida pela filha de Bonafini foi pateticamente semelhante à que era habitual durante a última ditadura que dominou o país de 1976 a 1983: os desconhecidos a golpearam, a queimaram com cigarros e colocaram uma bolsa de plástico em sua cabeça. Esta última tortura, conhecida como "submarino seco", era um dos métodos mais aplicados pelos repressores da ditadura. María Alejandra Bonafini, 35 anos, estava sozinha em casa na cidade de La Plata (a 50 km de Buenos Aires) quando bateram à sua porta duas pessoas que se identificaram como sendo funcionários da telefônica. Os agressores reviraram o interior da casa mas não levaram nenhum objeto de valor. Enquanto a torturavam, eles receberam por rádio, como utilizavam as forças policiais, ordens para saírem do local. Ao se retirarem, eles aconselharam María a contar até cem antes de pedir ajuda. Hebe Bonfanini, que estava na Europa e retornou ao país na noite de sexta-feira, declarou suspeitar que a agressão foi promovida por policiais da província de Buenos Aires. "São os únicos que sabiam que minha filha havia pedido a mudança da linha telefônica", comentou. Um comunicado das Madres de Plaza de Mayo, convocando uma entrevista coletiva amanhã, responsabiliza "as autoridades provinciais e nacionais por este ato criminoso".

Agencia Estado,

27 Maio 2001 | 18h09

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