Washington Post photo by Jabin Botsford
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E-mails provam que Trump Jr. buscou dados do Kremlin contra Hillary

Filho do presidente dos EUA respondeu a britânico que intermediou reunião com advogada russa que ‘adoraria’ receber informação para incriminar candidata democrata em 2016

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 12h52
Atualizado 11 Julho 2017 | 22h43

WASHINGTON - Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente americano, divulgou nesta terça-feira uma série de e-mails na qual ele escreve que adoraria receber dados do Kremlin para incriminar a candidata democrata Hillary Clinton na última eleição. As mensagens foram publicadas na conta de Trump Jr. no Twitter horas depois de ele ter sido alertado pelo New York Times de que o jornal publicaria os documentos. 

As mensagens mostram conversas de Trump Jr. com o relações-públicas britânico Rob Goldstone – ligado ao músico russo Emin Agalarov, filho do magnata Aras Agalarov. Os dois tiveram negócios com Trump na Rússia, tanto na produção da versão local do programa O Aprendiz quanto nos planos para a construção de uma Trump Tower no país. 

Nas mensagens, datadas de 3 de junho do ano passado, Goldstone diz que o procurador-geral da Rússia, Yury Yakovlevich Chaika, encontrou-se com Aras e ofereceu à campanha alguns documentos e informações que, segundo Goldstone, poderiam incriminar Hillary. “Evidentemente isso é informação de alto nível e muito sensível, mas faz parte do apoio do governo da Rússia ao sr. Trump”, escreve Goldstone. “Como seria a melhor maneira de lidar com essa informação?”

Trump Jr. responde: “Se é isso que você está dizendo, eu adoraria, especialmente no fim do verão”, referindo-se aparentemente à conveniência de conseguir esses dados perto da eleição, disputada em novembro. 

Quatro dias depois, Goldstone propõe um encontro em Nova York com “uma advogada do governo russo”. Trump Jr. concorda com o encontro e avisa que estarão presentes o genro de Trump, Jared Kushner, hoje assessor da Casa Branca, e o então diretor da campanha republicana Paul Manafort. A reunião ocorreu em 9 de junho, com a advogada russa Natalia Veselnitskaya. 

 

 

Quem é quem.

Natalia é conhecida por ter diversos clientes do establishment político russo e atuou nos EUA contra a Lei Magnistski, em 2012, que punia russos acusados de abuso de direitos humanos com congelamento de ativos. Essa lei irritou o presidente russo, Vladimir Putin, que em resposta proibiu famílias americanas de adotar crianças russas. Suas atividades chegaram a ser monitoradas pelo FBI. Na Rússia, ela é tida como próxima do procurador Yakovlevich. 

Aras Agalarov tem laços com o Kremlin e sua companhia venceu diversas licitações no setor de construção. Em 2013, uniu-se a Trump para levar o Miss Universo para Moscou. 

Emin Agalarov chegou a gravar uma canção com o tema do programa O Aprendiz, protagonizado por Trump. No videoclipe russo, o hoje presidente faz uma participação especial gritando “Você está despedido!” – seu bordão no programa. 

As famílias tornaram-se próximas e chegaram a negociar a construção de um hotel em Moscou, mas o acordo foi suspenso assim que Trump virou candidato a presidente.

O Departamento de Justiça americano, o FBI, além das Comissões de Inteligência do Senado e da Câmara, investiga a influência de agentes do governo russo na campanha de Trump e na eleição de 2016.

Segundo a TV CNN, citando uma fonte do governo, o investigador especial do Departamento de Justiça, Robert Mueller, planeja incluir a reunião e a troca de e-mails em sua investigação. A natureza das informações que a advogada teria sobre Hillary é desconhecida. Não há confirmação de que elas tenham a ver com a divulgação de e-mails do Comitê Nacional Democrata durante a convenção do partido, no fim de julho, feita pelo WikiLeaks.

Trump Jr. reconheceu ter se encontrado com Natalia durante a campanha e disse ter divulgado os e-mails por uma questão de transparência. A advogada nega que tenha sido enviada do Kremlin. O filho do presidente diz, no entanto, que acreditava que as informações não eram ilegais e consistiam em pesquisas sobre rivais políticos, além de ressaltar que a advogada não era funcionária do Kremlin.

Um porta-voz da equipe de advogados de Trump afirmou que o líder republicano não sabia da reunião. Trump defendeu a atitude de seu filho. “Ele é uma pessoa da mais alta qualidade e eu aplaudo sua transparência”, disse o presidente. / AP, REUTERS e NYT

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