AP / Darko Vojinovic
AP / Darko Vojinovic

Fluxo de refugiados na UE supera previsão da ONU para 2015

Hungria ergue muro para impedir entrada de sírios, enquanto Madri decide oferecer atendimento de saúde sem restrições

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 19h28

A Europa terá em 2015 o maior número de refugiados pelo continente desde o fim da 2.ª Guerra, alertou nesta terça-feira, 25, a ONU em comunicado. A organização afirmou que o fluxo de pessoas “não vai parar” e ocorrerá por diversas rotas. Por dia, a previsão é de que cerca de 3 mil pessoas entrem na Europa pelos Bálcãs nos próximos meses, enquanto as chegadas pelo Mediterrâneo continuam a superar a marca diária de mil pessoas. 

Há apenas um mês, a ONU estimou que, em 2015, 250 mil refugiados chegariam pelo Mediterrâneo. Até hoje, o número apresentado já chegava a 300 mil, faltando ainda quatro meses para terminar o ano. A guerra na Síria, as crises de Iraque, Líbia, Afeganistão e Somália continuarão a gerar milhões de refugiados, segundo a estimativa da entidade. 

“Não vemos nenhum fim para o fluxo de pessoas no futuro”, alertou Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado para Refugiados da ONU. Com mais de 4 milhões de sírios espalhados por outros países do Oriente Médio e muitos deles vivendo na pobreza, Melissa aponta que a constatação é de que milhares de famílias optam por tentar a sorte na Europa. 

No início da semana, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, se reuniram para traçar um plano diante da crise de imigração. Mas a proposta de receber 40 mil pessoas é considerada insuficiente pelas entidades de direitos humanos. 

Enquanto um plano não é aplicado, a Europa vive a eclosão de violência diante do fluxo de estrangeiros. Na Alemanha, um futuro centro de acolhimento de refugiados foi incendiado por grupos extremistas e, no fim de semana, na fronteira entre a Macedônia e a Grécia, a polícia recorreu à violência para conter os estrangeiros, em sua maioria sírios.

Na Hungria, o governo tenta acelerar a construção de um muro para impedir a chegada dos estrangeiros pela fronteira com a Sérvia. Dos 175 km previstos, 110 km já estão prontos e o país passou cobrar uma multa de quem entrar sem visto. Melissa, porém, alerta que essas obras também estão acelerando o fluxo de imigrantes. “Muita gente nos diz que decidiu entrar na Europa antes que o muro seja erguido”, contou. Na segunda-feira, 2 mil estrangeiros cruzaram a fronteira da Hungria. Na Bulgária, o governo anunciou hoje que enviou veículos blindados para a fronteira com a Macedônia. 

Nem todos os governantes, no entanto, adotaram reações xenófobas. A presidente da Comunidade de Madri, Cristina Cifuentes, ordenou que todos os hospitais voltem a atender imigrantes, mesmo em situação irregular. Todos os imigrantes – com ou sem documentação – terão o direito de ser atendidos na cidade espanhola. 

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