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EFE/Manaure Quintero

Forças de segurança reduzem exigências para contratações na Venezuela

Alguns policiais estão descontentes com más condições de trabalho e salários baixos

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Alexandra Ulmer e Anggy Polanco / REUTERS ,
O Estado de S.Paulo

21 Abril 2017 | 05h00

Os responsáveis pelas forças de segurança da Venezuela estão percebendo que os baixos salários, o temor de choques violentos e a forte oposição ao presidente Nicolás Maduro vêm dificultando a contratação e mesmo a retenção de novos soldados e policiais, afirmam fontes próximas das Forças Armadas e da polícia.

Para fazer frente às necessidades, a Guarda Nacional Bolivariana, braço das Forças Armadas e o principal grupo encarregado de manter a ordem pública durante as manifestações contra o governo, reduziu o tempo de treinamento, aumentou o de serviço ativo e dispensou alguns requisitos para contratação.

A polícia, por seu lado, vem sofrendo com demissões e falta de equipamentos. Essas dificuldades aumentam os riscos para o presidente Maduro, em meio à onda de manifestações de rua nas últimas semanas e uma crise econômica devastadora que afetou enormemente os salários, com muitos venezuelanos lutando para conseguir se alimentar - e isto inclui os soldados rasos e seus parentes.

Não há nenhum sinal aparente de uma dissensão dentro das Forças Armadas, que sempre garantem lealdade a Maduro. Seu antecessor, Hugo Chávez, que era coronel, transformou o Exército em um baluarte do chavismo depois do golpe fracassado contra ele, em 2002. Os dirigentes militares só terão a perder se a oposição - que acusa o alto escalão de tráfico de drogas e de entrar em negócios empresariais ilícitos - assumir o poder.

As autoridades negam qualquer atividade ilícita e afirmam que vêm tomando medidas enérgicas contra os maus elementos. No entanto, por trás do ar imperturbável dos soldados da Guarda Nacional Bolivariana, que procuram bloquear os manifestantes que gritam nas ruas “não à ditadura”, às vezes, se percebe o mesmo descontentamento.

“Logo que concluir meus 15 anos de serviço, no próximo ano, caio fora”, disse um soldado da Guarda Nacional, queixando-se da falta de profissionalismo e dos salários reduzidos a algumas dezenas de dólares por mês no mercado negro.

Diante da falta de informação pública sobre as Forças Armadas, atualmente composta de 140 mil soldados, não é possível saber a extensão desse descontentamento nem o número de demissões ou contratações.

Os ministérios da Defesa e da Informação não se manifestaram ao serem questionados a respeito, mas no passado críticas feitas às Forças Armadas eram consideradas tentativas de difamação pelas autoridades.

Em meio à crescente crise na Venezuela, os soldados da Guarda Nacional têm sido enviados para controlar as linhas de suprimento de alimentos nos supermercados e os roubos em hospitais e em campos de petróleo. Maduro disse, em janeiro, que treinaria mais 10 mil policiais e membros da Guarda Nacional até julho, citando a necessidade de se combater a criminalidade na Venezuela. 

Na segunda-feira, o presidente também prometeu ampliar as milícias bolivarianas em 500 mil efetivos e armá-las com fuzis para enfrentar o que ele diz ser uma “tentativa da oposição, apoiada pelos EUA, de fomentar um golpe de Estado. Uma década atrás, muitos homens pobres ou das áreas rurais entravam para a Guarda Nacional ou se tornavam policiais para ter uma boa carreira, sólido salário e benefícios. Hoje, isto não ocorre mais. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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