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Formas pelas quais a CIA tentou matar o líder Fidel Castro

Agência tentou utilizar um charuto envenenado, caramujos explosivos e até mesmo um traje de mergulho contaminado como formas de eliminar o líder da Revolução Cubana

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2016 | 12h39

HAVANA - Charutos envenenados, caramujos com explosivos, traje de mergulho contaminado… A imaginação da CIA foi muito criativa em suas tentativas de assassinar Fidel Castro. As causas da morte do líder da Revolução Cubana, que sobreviveu a 10 presidentes, são um segredo de Estado e ninguém sabe de que morreu "o comandante".

Fidel indicou no passado ter sido alvo de mais de 600 tentativas de assassinato, mas tudo indica que ele morreu aos 90 anos em razão de sua idade avançada. O líder estava afastado da liderança do governo desde 2006, quando anunciou seu estado de saúde debilitado e passou o poder ao seu irmão Raúl Castro.

Documentos da CIA e um relatório do Comitê do Senado presidido pelo congressista democrata Frank Churc em 1975 revelam conspirações muito criativas e sofisticadas, embora muitas "não tenham saído da fase do laboratório".

Depilação

Algumas das ideias não tinham como objetivo matar Fidel, e pareciam mais travessuras engenhosas  de estudantes. O Comitê Church informou que de março a agosto de 1960 "a CIA avaliou planos para minimizar o carisma de Fidel sabotando seus discursos".

Uma ideia levantada foi espalhar com aerossol um químico similar ao LSD no estúdio de gravação do líder, mas o plano foi rejeitado. A ideia era mostrar aos cubanos que seu líder havia perdido a razão, e desta maneira seus simpatizantes deixariam de confiar nele. Da mesma forma, a Divisão de Serviços Técnicos (TSD, em inglês) considerou espalhar um componente químico que produz desorientação temporária, de maneira que Fidel parecesse um maluco.

Talvez um dos atentados mais peculiares que foram planejados contra ele tenha sido dirigido contra sua barba, ícone dos revolucionários e considerada um elemento importante de seu magnetismo. A CIA cogitou colocar sal de tálio em seus sapatos, de modo que, ao ser absorvido ou inalado, provocaria a queda do cabelo. Com o fim da barba, acabaria seu magnetismo. Mas o plano também não funcionou.

Charuto letal

O relatório do Comitê Church encontrou  "evidências concretas" de que ocorreram ao menos "oito tentativas concretas da CIA de assassinar Fidel Castro de 1960 a 1965". Conhecida a predileção do líder por tabaco, uma caixa dos charutos favoritos do ex-presidente foi tratada com uma "toxina botulínica letal tão potente que mataria qualquer pessoa que apenas colocasse um cigarro na boca", disse o Comitê. Os charutos foram entregues a uma pessoa não identificada em fevereiro de 1961, mas "o relatório não diz se finalmente ocorreu a tentativa de levar os cigarros a Fidel".

Máfia

Em 1960, a CIA recrutou homens armados da máfia para assassinar Fidel e ofereceu uma recompensa de US$ 150 mil dólares a quem conseguisse matá-lo. A agência considerou disparar contra ele em um estilo "assassinato mafioso", mas os assassinos propuseram um método mais discreto: colocar uma pastilha venenosa na bebida ou na comida de Castro.

O TSD elaborou uma pastilha com a toxina botulínica, que foi entregue ao funcionário cubano Juan Orta. Porém, depois de várias tentativas, ele aparentemente entrou em pânico e abandonou a missão, segundo um documento da CIA. O plano de assassinar Fidel com veneno se reavivou após a derrota para os EUA da invasão à Baía dos Porcos, mas foi abandonado em 1963.

Caramujos explosivos

Em 1963, o chefe de um setor da CIA pediu a um assistente que investigasse a possibilidade de colocar um caramujo explosivo nos locais em que Fidel praticava mergulho. Depois de ser analisado minuciosamente, o plano foi descartado.

Traje de mergulho contaminado

A CIA considerou pedir a James Donovan, advogado encarregado de negociar com Fidel a libertação dos prisioneiros da Baía dos Porcos, que levasse ao líder cubano um traje de mergulho "contaminado". O plano consistia em introduzir no forro do traje de neoprene esporos e bactérias que provocariam nele uma grave doença de pele. O respirador também foi contaminado, mas o material não saiu do laboratório.

Caneta envenenada

A CIA forneceu a um líder cubano de alto escalão chamado de AM/LASH, que queria eliminar Fidel, uma caneta esferográfica com uma agulha hipodérmica tão fina que ele não perceberia se alguém a pressionasse contra ele, injetando em sua pele um potente veneno. Este plano também falhou. / AFP

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