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França: críticas levaram à renúncia do governo

Estadão Conteúdo

25 Agosto 2014 | 16h 05

O primeiro-ministro Manuel Valls apresentou a renúncia do seu governo após acusar o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, de falar demais por ter criticado as políticas do governo

CHRISTOPHE KARABA/EFE
Hollande prometeu cortar impostos e gastos, assim como realizar reformas para facilitar a abertura e operação das empresas

O presidente francês François Hollande estuda suas opções depois de aceitar a renúncia do governo nesta segunda-feira, após críticas de ministros, socialistas como ele, sobre a política econômica do país. Hollande vai anunciar o novo governo na terça-feira.

O debate entre os socialistas franceses reflete as questões discutidas em toda a Europa sobre a decisão de seguir o modelo alemão, de austeridade fiscal, ou elevar os gastos governamentais para estimular o crescimento.

O primeiro-ministro Manuel Valls apresentou a renúncia do seu governo após acusar o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, de falar demais por ter criticado as políticas do governo. Hollande aceitou a renúncia e ordenou que Valls forme um novo governo até a terça-feira.

Hollande prometeu cortar impostos e gastos, assim como realizar reformas para facilitar a abertura e operação das empresas. As medidas têm como objetivo reduzir a carga tributária para as empresas e também conter o déficit do governo, que está acima do limite da União Europeia (UE), que é de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

A França não registrou crescimento econômico neste ano, o desemprego está perto dos 10% e os níveis de aprovação de Hollande estão muito baixos. O país está sob pressão dos 28 países da UE para colocar suas finanças em ordem, mas o

Montebourg criticou a austeridade como o remédio errado para promover o crescimento e argumenta que o governo poderia gastar de forma mais livre para criar empregos.

No final de semana, Montebourg e o ministro da Educação, Benoît Hamon pediram mudanças nos projetos fiscal e de cortes de gastos de Hollande, afirmaram que existem alternativas possíveis e atacaram as políticas de austeridade na França e na zona do euro.

Em entrevistas à mídia francesa e em discursos durante uma reunião socialista realizada no domingo, Montebourg e Hamon disseram que a redução forçada dos déficits orçamentários, ao mesmo tempo em que a contração da economia está elevando o desemprego, estimula o extremismo político e ameaça colocar a economia em recessão.

"A prioridade deve ser sair da crise. A redução dogmática dos déficits deve vir em segundo lugar", disse Montebourg em entrevista ao Le Monde publicada antes da reunião anual de ativistas do Partido Socialista em Frangy-en-Bresse, leste da França.

O ministro também criticou a Alemanha. "Precisamos levantar o tom. A Alemanha está presa na armadilha da austeridade que está impondo a toda a Europa."

Hamon juntou-se ao pedido de Montebourg por uma mudança de curso. Ele disse que o governo socialista precisa se reconectar com seu eleitorado e estimular a demanda ao aumentar os cortes de impostos para as famílias após as derrotas nas eleições locais e europeias deste ano.

"A pior coisa seria imaginar os franceses como crianças que não entendem", afirmou Hamon, que falou após Montebourg durante a reunião socialista.

Não foi a primeira vez que Montebourg atacou a política do governo francês. Em julho, ele propôs uma série de medidas para estimular a demanda doméstica e defendeu mais cortes de impostos para os consumidores.

Mas as críticas foram feitas num momento difícil para o presidente francês, que disse no início desta semana que vai levar adiante um plano de três anos com o objetivo de cortar os gastos públicos para promover cortes de impostos para as empresas, embora a economia esteja estagnada. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.