AFP / Patrick KOVARIK
AFP / Patrick KOVARIK

França e Alemanha construirão sistema de combate aéreo

Iniciativa é parte do projeto de 'defesa europeia', destinado a reduzir a dependência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 21h31

No dia em que recebeu Donald Trump, o presidente da França, Emmanuel Macron, passou o dia com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em Paris. A reunião bilateral resultou em anúncios concretos: os dois países informaram que construirão um sistema de combate aéreo comum, criando um "mapa do caminho" unificado para investimentos em defesa entre 2020 e 2030. A iniciativa é parte do projeto de "defesa europeia", destinado a reduzir a dependência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ao final, em uma entrevista coletiva no Palácio do Eliseu – antes que a chanceler deixasse o Paris sem encontrar Donald Trump –, Macron e Merkel anunciaram um novo passo na integração dos sistemas de defesa dos dois países.

"Os dois parceiros desejam criar um mapa do caminho conjunto daqui até meados de 2018", informaram os dois líderes em comunicado. França e Alemanha planejam construir em conjunto um avião de combate de quinta geração – para no futuro substituírem os Tornado e Eurofighter alemães e o Rafale francês. "Estamos prontos a dar um novo salto na colaboração franco-alemã", disse Merkel.

Macron frisou a importância do projeto comum na área de defesa. "Nosso desejo é poder ter uma nova geração de aviões de combate em comum, quando a Europa teria justamente uma unidade de projeto e de inovação", explicou. Hoje os aviões de caça dos dois países são projetados por empresas concorrentes. "É uma revolução profunda, mas não devemos ter medo das revoluções quando elas são conduzidas de maneira coerente e sustentável." 

O objetivo dos dois países ao prever um sistema aéreo comum é reduzir custos e ampliar a sinergia, associando empresas de defesa hoje concorrentes, e eliminar a competição entre países europeus pelo mercado internacional – Eurofighter e Rafale são aeronaves concorrentes no mercado bélico. Não bastasse, a aproximação é mais um passo no sentido da integração em matéria de defesa, um projeto debatido há décadas, mas ainda embrionário.

A "Europa da Defesa" também é uma resposta à ameaça dos Estados Unidos, sob o governo Trump, de reduzir os investimentos na Otan. A aliança atlântica, na qual Washington tem peso preponderante, é a maior fiadora da segurança militar europeia em relação a ameaças externas.

 

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