França e Líbia se aproximam e discutem reações aos ataques

O ministro da Cooperação da França, o socialista Charles Josselin, foi o portador de uma carta do presidente Jacques Chirac e de mensagens do primeiro ministro Lionel Jospin para o presidente da Líbia, o coronel Muamar Kadafi, com quem se avistou terça-feira em Trípoli. As relações entre a França e a Líbia estão ingressando numa nova fase, depois de terem se deteriorado a partir de 1989 em razão do atentado contra um DC-10 da UTA francesa, um avião comercial que explodiu sobre o deserto do Níger. Os autores do atentado foram identificados como agentes dos serviços secretos líbios. Direito de resposta Recentemente, Kadafi anunciou a disposição de lutar contra todas as formas de terrorismo, surpreendendo os analistas internacionais. Kadafi foi um dos primeiros líderes árabes a condenar com determinação os autores do atentado contra o World Trade Center. Ele considerou legítimo o direito de resposta dos americanos, mesmo não aceitando a afirmação do presidente Bush de que quem não está com os EUA está no campo dos terroristas. Kadafi prefere a posição francesa, exposta por Josselin. O líder líbio condena o terrorismo, mas não está disposto a seguir cegamente os EUA no campo político por eles delimitado. Por isso, quer saber "quem dirá aos americanos que eles devem partir da Arábia Saudita", pois sua presença no território da Meca será sempre um fator de desestabilização e insegurança desse e de outros países da área. A Líbia concorda também com a diplomacia francesa em que a luta contra o terrorismo não deve ser orientada apenas por ações militares, mas também por mais cooperação policial, judiciária, financeira e pela redução das "desigualdades que favorecem as frustrações e o ódio". Apesar dessa aparente boa vontade de Kadafi e da tentativa de aproximação bilateral com a França, a Líbia continua na lista negra dos países que, segundo o Departamento de Estado, ainda apóiam o terrorismo. Leia o especial

Agencia Estado,

24 Outubro 2001 | 19h53

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