Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Justin Sullivan/Getty Images/AFP

França e Reino Unido criticam discurso de Donald Trump

Presidente americano atacou severas leis de restrição de uso de armas de fogo nos dois países e afirmou que liberação poderia salvar vidas em ataques terroristas

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2018 | 20h25

WASHINGTON - O presidente americano Donald Trump conseguiu provocar indignação de franceses e britânicos em um único discurso. No domingo, 6, o governo da França, políticos e médicos do Reino Unido chamaram de “desrespeitosas” as afirmações de Trump em um evento da Associação Nacional dos Rifles (NRA), o lobby das armas. 

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Na sexta-feira, Trump sugeriu que leis menos duras para a compra de armas ajudariam a evitar os ataques de em Paris, em 2015. O presidente americano também associou os crimes com armas brancas em Londres à proibição de armas de fogo no Reino Unido.

“Ninguém tem armas em Paris e todos nós nos lembramos de mais de 130 pessoas mortas por um pequeno grupo de terroristas que tinham armas”, disse Trump. “Eles tiveram tempo e os abateram um a um. Os policiais entravam – e bum.” Pelo raciocínio do presidente, se alguém no Bataclan tivesse uma arma, poderia ter terminado a matança.

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A frase prejudicou a aproximação entre França e EUA criada pela visita de três dias do presidente francês, Emmanuel Macron, à Casa Branca, em abril. O governo francês emitiu no domingo, 6, sua crítica mais forte a Trump desde que Macron tomou posse. “A França expressa sua firme desaprovação aos comentários do presidente Trump sobre os ataques de Paris e exige o respeito à memória das vítimas”, disse a nota da chancelaria. Pelo Twitter, o ex-presidente francês François Hollande chamou os comentários de Trump de “vergonhosos” e “obscenos”. 

Com o Reino Unido, a gafe de Trump foi similar. “Li uma reportagem sobre um hospital de Londres que já teve muito prestígio, mas que hoje é uma zona de guerra”, afirmou o presidente americano. “Eles não têm armas, têm facas, e há sangue em todo o chão. Dizem que é tão ruim quanto um hospital militar na zona de guerra. Facas, facas, facas”, afirmou Trump, repetindo os movimentos de esfaqueamento.

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Trump se referia a uma entrevista à BBC de Mark Griffiths, cirurgião-chefe do Royal London Hospital, em que ele dizia que colegas que trabalham no hospital comparavam os atendimentos ali aos de uma base militar britânica no Afeganistão.

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Neste domingo, 6, no Twitter, Griffiths criticou os comentários de Trump e afirmou que o presidente não entendeu a entrevista. Em comunicado, Karim Brohi, diretor da traumatologia do Royal London Hospital, disse que os comentários de Trump são absurdos, que “as feridas por arma de fogo são duas vezes mais letais do que as lesões por faca – e mais difíceis de reparar”. /W.POST e REUTERS

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