Michel Euler/AP
Michel Euler/AP

França proíbe muçulmanos de rezar em público

Medida, em vigor desde ontem, afeta 5 milhões de fiéis - a maior comunidade islâmica da Europa; espaços de oração foram oferecidos como alternativa

, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2011 | 00h00

PARIS

A lei que proíbe fiéis muçulmanos de rezar em público entrou em vigor, ontem, na França. A medida afeta cerca de 5 milhões de pessoas - a maior comunidade islâmica da Europa. Dois espaços de orações foram construídos na capital, Paris, e em Marselha, a segunda maior cidade francesa, para abrigar os fiéis, pois faltam mesquitas no país.

"É mais digno rezar na grama do que em uma falsa mesquita", esbravejavam manifestantes, ontem, na Rua Mryha, que se tornou um ponto de encontro informal de muçulmanos em Paris.

Eles costumavam rezar ao ar livre no local. Agora, quem estender seu tapete e apontá-lo para Meca sofrerá represálias. Segundo o ministro do Interior, Claude Gueant, a polícia francesa está autorizada a usar a força contra os fiéis, se necessário. "Aparentemente, nós chocávamos as pessoas", disse um dos fiéis no antigo quartel do Corpo de Bombeiros convertido em local de reza para 2,7 mil pessoas no norte de Paris. O espaço ficou lotado ontem de fiéis vindos de todas as partes da capital e arredores.

Para o xeque Mohammed Salah Hamza, que liderou as orações, "é o início de uma solução". Os líderes religiosos de Goutte d"Or, onde vive grande parte dos muçulmanos, concordaram com a proposta da prefeitura de alugar o local por três anos, já que as duas mesquitas locais não têm espaço para o número crescente de fiéis.

Sete meses antes das eleições presidenciais, a proibição foi recebida por parte da população como uma tentativa do presidente Nicolas Sarkozy de abarcar o apoio da extrema direita.

Invasão. A proposta de banir as orações nas ruas foi apresentada no por Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Frente Nacional. Marine disse que as orações nas ruas francesas - que aumentaram nos últimos por causa da chegada de mais imigrantes muçulmanos ao país, são uma "invasão". Ele chegou a comparar o "fenômeno" à invasão de Paris por nazistas alemães.

"Foi Marine Le Pen que começou tudo isso", disse a muçulmana Assya, a caminho do antigo quartel. "Agora o governo proibiu a reza nas ruas e nos confinou aqui, assim poderá obter os votos da extrema direita. É disso que se trata essa lei."

A França foi o primeiro país do mundo a banir, em abril, o uso do hijab (véu islâmico integral) em locais públicos. O presidente Sarkozy alegou, na ocasião, que o hijab contraria valores seculares da França. Em outra decisão polêmica, o governo francês baniu, ontem, os mendigos da famosa Champs-Elysées, entre 10 horas e 22 horas. / AP, DPA e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.