Fujimori acusado de co-autoria de massacre

A Procuradora da República do Peru Nelly Calderón informou ter denunciado constitucionalmente, perante o Congresso, o ex-presidente Alberto Fujimori por suas supostas ligações com um esquadrão paramilitar que perpetrou o massacre de 15 pessoas em um bairro popular de Lima em 1991. A denúncia da procuradora foi encaminhada ao Congresso na quarta-feira à noite, já que, como Fujimori goza de imunidade por ter sido presidente, compete ao Legislativo proceder a uma investigação e determinar se retira dele a imunidade e entrega o caso à Justiça comum. "Apresentamos as provas, juntamos declarações e creio que está tudo bem encaminhado para que o Congresso se proncuncie", disse Calderón em entrevista nesta quinbta-feira pelo rádio. Calderón denunciou Fujimori por "homicídio qualificado" devido à sua suposta participação como co-autor no massacre de Barrios Altos, no qual 15 pessoas foram assassinadas pelo grupo paramilitar Colina, disse o congressista Daniel Estrada, presidente de uma subcomissão que investiga qual foi o papel de Fujimori no desaparecimento de pessoas. O grupo Colina foi integrado por oficiais e suboficiais do Exército que receberam ordens para eliminar todas as pessoas supostamente vinculadas a grupos subversivos como Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA). A denúncia da Promotoria se baseia em testemunhos de três agentes de inteligência que integraram o Colina e afirmaram que Fujimori tinha conhecimento das atividades dessa organização clandestina e que incentivava suas ações através de atos de reconhecimento. O jornal El Comercio disse que a denúncia relata que Fujimori esteve na sede do Serviço de Inteligência Nacional, dirigido pelo foragido ex-assessor Vladimiro Montesinos, para "celebrar" com os membros do Colina no mesmo dia do massacre de Barrios Altos. Calderón diz que Fujimori pode ter ordenado as ações do Colina através de Montesinos, que tinha relações diretas com o chefe da organização paramilitar, o major reformado Santiago Martín Rivas. Segundo a procuradora, Fujimori também pretegeu o grupo Colina da perseguição da Justiça, ao propor em 1995 uma lei de anistia para militares e policiais, que retirou da prisão vários membros do grupo paramilitar, presos pelo assassinato de nove estudantes e um professor da Universidade La Cantuta em 1992. Rivas, que está na clandestinidade, declarou há alguns dias ao editor de uma televisão a cabo que Fujimori e o então comandante-geral do Exército, Nicolás Hermoza, pediram-lhe que aceitasse ir para a prisão em 1994, comprometendo-se a conceder-lhe em seguida uma anistia.

Agencia Estado,

24 Maio 2001 | 18h19

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