Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Fujimori pede perdão pelos atos de seu governo após receber indulto

Ex-presidente do Peru também agradeceu a Kuczynski por lhe conceder o perdão e prometeu que apoiaria o apelo para a reconciliação do país

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 04h24

LIMA - O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, pediu perdão pelos atos de seu governo nesta terça-feira, 26, enquanto está internado em uma clínica. Há três dias, ele recebeu um polêmico indulto humanitário do presidente Pedro Pablo Kuczynski.

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Em um vídeo publicado em sua página no Facebook, o ex-mandatário peruano disse que reconhece ter desapontado o povo. "Sou consciente de que os resultados durante meu governo, de uma parte, foram bem recebidos, mas reconheço, por outro lado, que decepcionei outros compatriotas. A eles, peço perdão de todo o meu coração", disse Fujimori, de 79 anos, que foi internado por problemas circulatórios e hipertensão.

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O indulto a Fujimori, decretado na véspera de Natal, agravou a crise e provocou uma onda de protestos, inclusive pela renúncia de Kuczynski. O atual presidente justificou que o indulto foi para reconciliar o país antes que o ex-presidente morra na prisão. Ele também pediu que os peruanos aceitem a decisão e "virem a página".

Alberto Fujimori, que cumpria uma pena de 25 anos por crimes de sequestro, abusos dos direitos humanos e corrupção, agradeceu a Kuczynski por lhe conceder o perdão e prometeu que, como homem livre, apoiaria o apelo do presidente para a reconciliação do país.

O indulto era a única via pela qual Fujimori poderia deixar a prisão, uma vez que a natureza dos crimes que cometeu não permitia nenhuma redução da pena. Em abril, um projeto de lei apresentado no Congresso permitia a presos com mais de 75 anos e com problemas de saúde cumprir a pena em casa, o que seria a salvação para o ex-presidente.

O texto se referia a presos no geral, mas todo o debate se voltou de imediato a Fujimori, então com 78 anos. A proposta ocorreu em momentos que Kuczynski enviou uma mensagem conciliadora à líder da oposição, Keiko Fujimori, filha do ex-mandatário, pedindo para "virar a página para conseguir uma sociedade mais unida".

Naquela época, o porta-voz da bancada oficialista Peruanos por el Kambio, Carlos Bruce, garantiu que o presidente libertaria Alberto Fujimori por meio de um perdão, mesmo que de forma pessoal.

Kuczynski foi salvo de um impeachment pelo Congresso no auge de um escândalo de corrupção ao receber apoio de uma parte dos legisladores fujimoristas. Uma cisão no fujimorismo vinculada à possível negociação da libertação do ex-presidente foi decisiva para o presidente escapar da destituição. /Reuters, AFP e EFE

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