EFE/EDUARDO CAVERO
EFE/EDUARDO CAVERO

‘Fujimorismo ganha força com esse escândalo de corrupção’

Peruanos viam Alejandro Toledo como um fiador da democracia que combateu a corrupção

Entrevista com

Arturo Maldonado, cientista político da PUCPE

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2017 | 05h00

O pedido de prisão do ex-presidente peruano Alejandro Toledo pelo Ministério Público provocou tristeza entre os peruanos que o viam como um fiador da democracia após o fim do governo de Alberto Fujimori (1990-2000), avalia o cientista político peruano Arturo Maldonado. 

Segundo ele, o principal efeito do escândalo da Odebrecht no cenário político será a reabilitação do fujimorismo - agora liderado por Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, que está preso desde 2005 por violação de direitos humanos e corrupção.

O que representa para o cenário político peruano a possível prisão de Toledo?

Toledo foi, justamente, o líder da onda antifujimorista no começo do século. Ele nasceu politicamente no calor de denúncias, encarnou o desejo de muita gente que queria punir a corrupção. Ele ter caído nos mesmos vícios que prometeu combater é muito simbólico, um pouco como Lula aí no Brasil. Há um sentimento de tristeza, de pena, de desilusão.

Que efeito o escândalo tem para o governo de PPK?

O pior cenário é que isso chegue ao atual governo. Ele foi ministro de Toledo e muita gente não o acusa ainda, mas há temores de que ele teria de explicar alguns temas, principalmente a obra da Rodovia Interoceânica. 

Há uma correlação entre o caso Odebrecht e a baixa popularidade do atual presidente?

Todos os presidentes peruanos perdem popularidade. A questão é como. PPK está um pouco melhor que Toledo, mas abaixo de García e Humala. Sem dúvida o escândalo o afeta e o afetará mais.

O que ganha o fujimorismo com isso tudo?

O fujimorismo está ganhando força e se transformando no partido livre de investigações, porque não esteve no poder nos últimos anos e porque as investigações chegam até o governo de Toledo. O escândalo afeta toda a classe política, com exceção feita ao fujimorismo. No entanto, ainda é cedo para falar de sucessão e não convém ao fujimorismo antecipar essa discussão.

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