EFE/PRENSA PRESIDENCIAL
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Futuro de Cristina depende de resultado nas eleições argentinas

Participação da presidente num futuro governo de Daniel Scioli foi usada durante toda a campanha, contra e a favor dele

Rodrigo Cavalheiro , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

23 Outubro 2015 | 02h00

BUENOS AIRES - Num país em que a parcela de kirchneristas é semelhante à dos os detestam - em torno de 30% para cada lado -, a participação de Cristina Kirchner num futuro governo de Daniel Scioli foi usada durante toda a campanha, contra e a favor dele.

Questionado em cada entrevista se teria autonomia, a resposta do governador da Província de Buenos Aires variava entre “governarei com as atribuições que a Constituição me dá” e “não me subestimem”. 

Cristina só aceitou Scioli como candidato ao perceber que nenhum kirchnerista próximo a ela e ao estilo combativo do movimento tinha tanta chance. Abençoou a chapa, para tristeza e logo resignação dos militantes mais radicais, quando Carlos Zannini apareceu como vice. A partir daí, fez campanha em cadeias nacionais semanais de TV, nas quais dava dicas a Scioli. 

“O papel dela é paradoxal. Precisa que Scioli ganhe, mas não gosta dele, nem deseja que tenha muito sucesso”, afirma o sociólogo Carlos de Angelis, da Universidade de Buenos Aires. Ele prevê, caso Scioli vença, uma progressiva tensão do novo governo com o kirchnerismo, movimento que acrescentou agressividade a duas características peronistas: a proteção/intervenção estatal e a presença em cada bairro ou, se possível, quadra. Scioli tem um perfil peronista clássico, prefere trocas ao choque.

Para o analista Eduardo Fidanza, do instituto Poliarquía, a Argentina teria uma direção conjunta. “Scioli tomaria decisões, mas consultaria Cristina. Ela sairá com popularidade (tem aprovação média de 40%) e terá um papel político”, diz. O sociólogo Ricardo Rouvier discorda parcialmente. “Ela manterá sua liderança, mas não governará em conjunto”, diz.

Caso passe à oposição, o papel da ex-presidente será mais nítido. Será a voz principal contra o governo e um forte nome para a disputa presidencial de 2019. Ela escolheu não ser candidata em 2015, frustrando previsões de críticos que a situavam em algum cargo que garantisse imunidade em investigações sobre lavagem de dinheiro em negócios da família. “Se estiver muito ocupada com sua defesa judicial, perderá liderança política”, pondera Fidanza.

Pelo estilo de Scioli e dos candidatos opositores, há certo consenso que a votação de domingo marca um “fim de ciclo”, ou, pelo menos, uma pausa. Em abril, Cristina afirmou na Casa Rosada que esperava “não ter de voltar em 2019”. Disse também disse que pretendia plantar rosas na Província de Santa Cruz, no sul, berço político da família, mas ninguém acreditou.

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