Albert Cesare/Montgomery Advertiser via AP
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Governador do Alabama pode perder cargo após escândalo

Deputados pediram impeachment do republicano, que teve grampeada conversa picante com assessora

O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 21h21

WASHINGTON - Um deputado do Estado americano do Alabama anunciou ontem ter entrado com um pedido de impeachment contra o governador republicano Robert Bentley, que admitiu ter mantido uma conversa com teor sexual com sua assessora mais próxima e enfrenta questionamentos sobre uma possível utilização de recursos públicos em conexão com o caso. 

A abertura da ação foi revelada em uma entrevista coletiva pelo deputado Ed Henry, republicano que estava acompanhado por colegas de partido e por democratas. “Estamos olhando para esse governador, que traiu a confiança do povo do Alabama”, disse Henry. 

O escândalo surgiu em março, quando o chefe da segurança do Estado, Spencer Collier, alegou publicamente que o governador e a assessora, Rebekah Caldwell Mason, uma ex-miss, tinham um caso. Ele deu a declaração após ter sido demitido por Bentley. 

Pouco depois, um colunista do Birmingham News publicou o áudio de uma conversa picante entre o governado e a assessora por telefone. Na conversa, ele disse, entre outras coisas, que gostaria de “por as mãos em seus seios”. Bentley, que se separou da mulher, Dianne, no ano passado, após um casamento de 50 anos, afirmou na época que a relação com a assessora era inapropriada, mas não física. 

O escândalo cresceu quando foi descoberto que Rebekah recebia parte de seu pagamento de doadores anônimos. Ela se demitiu. O escândalo continuou com as revelações de que ela e Bentley mantinham uma conta conjunta no banco e ele teria comprado aparelhos de celular para ela. 

Um auditor do Estado apresentou queixa de má conduta ética e questionou os pagamentos a Rebekah. Deputados abriram investigação para saber se recursos públicos foram usados por Bentley. 

O governador tem recusado os pedidos de renúncia. Na segunda-feira, durante uma entrevista coletiva em uma prisão estadual, o governador se desculpou, sem dar detalhes da acusação contra ele. 

“Tenho pedido a Deus que me perdoe, pois isso é o mais importante”, disse. “Tenho pedido com sinceridade às pessoas deste Estado, que eu amo e são as melhores pessoas do mundo, que me perdoem.” 

Há quase cem anos o Estado não passa por um processo de impeachment. De acordo com Patrick Harris, secretário do Senado do Alabama, a Constituição estadual é vaga nesse processo. 

Uma possibilidade é o processo ser conduzido pelo presidente da Suprema Corte do Estado, Roy Moore. O juiz ficou famoso por desafiar, em 2003, um ordem para retirar um monumento dos Dez Mandamentos do prédio do tribunal. / NYT

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