Reuters
Reuters

Governo argentino estuda destituir cúpula da Marinha

Ministério da Defesa abriu 40 investigações internas e fontes do governo falam em 'negligência' e 'informação ocultada' pela Marinha em relação ao submarino; trocas só devem ocorrer, no entanto, após o fim das buscas pelo ARA San Juan

O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2017 | 23h55
Atualizado 24 Novembro 2017 | 12h35

MAR DEL PLATA, ARGENTINA - O manejo da crise provocada pela explosão e o desaparecimento do submarino ARA San Juan pela Marinha da Argentina irritou o presidente Maurício Macri e o Ministério da Defesa.

Famílias criticam governo por demora em resgate de submarino na Argentina

Segundo a imprensa local, o presidente espera o fim das buscas para promover uma troca no comando da Armada. A avaliação é que houve quebra de hierarquia pelo fato de a Marinha não ter tratado o caso com transparência, segundo o jornal Clarín.

O Ministério da Defesa abriu 40 procedimentos internos para avaliar o caso. O mais ameaçado é o almirante Marcelo Srur, comandante da Marinha.

O ministro da Defesa, Oscar Aguad, se inteirou pela imprensa do desaparecimento do submarino enquanto participava de uma cúpula em Vancouver, no Canadá. Na quinta-feira, ele desligou o telefone quando Srur disse que desconhecia a origem de algumas informações que estavam sendo dadas aos parentes dos tripulantes em Mar del Plata.

Método de análise levou à demora na revelação da explosão no submarino

Ao longo dos dias, a tensão foi crescendo. No domingo, a cúpula do governo foi informada de que o submarino havia reportado um problema nas baterias - uma informação que a Marinha tinha desde a quarta-feira, mas não transmitiu antes. Outro foco de desagrado de Aguad com a Marinha é a relação com as famílias da tripulação e como as informações do caso estão sendo passadas a elas. 

"Se rompeu a cadeia de comando", disse uma fonte da Casa Rosada ao Clarín. "O presidente é o comandante chefe das Forças Armadas."

Srur tornou-se comandante da Marinha em janeiro do ano passado, nomeado por Macri em meio a uma renovação das Forças Armadas. A Marinha nega qualquer crise.

"O esforço para encontrar os tripulantes é uma tarefa sem pausa que conta com a colaboração do Ministério da Defesa e da Armada", disse o porta-voz da Marinha, Enrique Balbi. "As comunicações oficiais entre as autoridades envolvidas ocorreu no tempo e protocolos adequados."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.