Ministério da Defesa / AP
Ministério da Defesa / AP

Governo Macri acusa corrupção na manutenção do ARA San Juan durante mandato Kirchner

Além do tempo maior destinado aos reparos do submarino, o ministro da Defesa indicou que houve superfaturamento no processo de reparação

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 04h20

BUENOS AIRES - O governo da Argentina garantiu nesta segunda-feira, 4, que, ainda que não haja "evidências claras", as "suspeitas" apontam que houve "corrupção" no processo de reparação no submarino ARA San Juan, desaparecido há 20 dias, durante o mandato de Cristina Kirchner (2007-2015).

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"Houve uma denúncia por corrupção que foi arquivada sem ser investigada e dava conta de algumas anomalias que existiam. O que eu posso comprovar é que o submarino devia ser consertado em dois anos e demorou cinco", disse o ministro da Defesa, Oscar Aguad, em uma entrevista ao canal TN.

Em sua primeira entrevista desde que o San Juan se perdeu no Atlântico com 44 tripulantes a bordo, Aguad afirmou que há informações de auditoria que dão conta de que os materiais usados durante a reparação conhecida como de "meia vida" do submarino, entre 2008 e 2014, não foram "da qualidade que se necessitava".

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Ele disse ainda haver outra série de problemas, como superfaturamento, "que se investigará". Mesmo que não haja "evidências claras", há "suspeitas" de irregularidades, afimou Aguad sobre o processo de manutenção do submarino, que foi construído na Alemanha e incorporado à Armada Argentina em 1985.

Mesmo assim, o ministro do governo de Mauricio Macri reconheceu que o trabalho de conservação do navio foi realizado e que o submersível foi posteriormente "controlado pela Marinha". "A corrupção tem a ver com os superfaturamentos, mas os trabalhos foram realizados. Creio que são duas coisas distintas, mas tem de se investigar", declarou Aguad.

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Sobre se o submarino saiu em perfeito estado no dia 13 de novembro do porto de Ushuaia até a base na cidade de Mar del Plata, o ministro afirmou que "as evidências dizem que sim". Porém, disse que um dos aspectos que a Justiça deve investigar é se houve erros por parte da Armada quando, na noite anterior a reportar a localização pela última vez, o comandante do submarino alertou aos superiores em terra de que havia entrado água pelo duto de ventilação. A água atingiu os compartimentos de bateria e provocou um princípio de incêndio. Segundo a Armada, esse problema foi resolvido e o próprio comandante decidiu continuar com a viagem.

"É motivo de investigação. Determinar se a avaria era grave ou não. Eu também confiei no capitão do submarino, de quem todo mundo fala da experiência", argumentou Aguad. O ministro relatou que o ARA San Juan já tinha passado por esse mesmo problema de entrada de água, mas com a diferença de que na ocasião anterior não havia atingido as baterias. Na época, o comandante pediu que essa questão entrasse nas reparações no primeiro semestre de 2018. /EFE

 

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