AFP PHOTO / JEAN-PHILIPPE KSIAZEK
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Governo Macron anuncia ministério com paridade de sexos na França 

Com Gérard Collomb, no Interior, e Jean-Yves Le Drian, nas Relações Exteriores, primeiro gabinete do novo presidente tem 50% de homens e mulheres, e membros de diferentes partidos

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 12h05

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, e seu primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciaram nesta quarta-feira, 17, a formação do primeiro ministério do novo governo. O gabinete é formado por ex-membros do Partido Socialista (PS) e do partido Republicanos (direita), além de centristas do Movimento Democrático (MoDem).

A nova formação se destaca pela paridade entre homens e mulheres, e um número equilibrado de políticos com experiência e de novos ministros oriundos da sociedade civil. Na Economia e Finanças, o escolhido foi Bruno Lemaire, um dos expoentes da direita.

O anúncio do ministério estava marcado para a terça-feira, mas foi adiado para que a Direção Geral de Finanças Públicas e a Alta Autoridade para a Transparência da Vida Pública, dois órgãos de fiscalização do poder público, pudessem analisar a situação fiscal de cada um – a lei já determina que a verificação aconteça, mas após a nomeação –, e confirmar a inexistência de eventuais conflitos de interesses com o poder privado. Essa verificação atende à exigência de Macron de um ministério com probidade impecável, coerente com sua proposta de reforma política, que ainda será enviada ao Parlamento assim que a formação do novo Congresso for conhecida, após as eleições legislativas de 11 e 18 de junho.

Entre os principais nomes do ministério, estão o do prefeito de Lion, Gérard Collomb, membro do PS e um dos primeiros apoiadores da candidatura de Macron, que assumirá o posto informal de número 2 do governo, à frente do Ministério do Interior. Essa pasta coordena a articulação das polícias e dos serviços secretos, e é responsável pela luta contra o terrorismo. No Ministério do Meio Ambiente, chamado de Transição Ecológica, o escolhido foi o ambientalista Nicolas Hulot, uma personalidade da sociedade civil cortejada há três governos para se tornar ministro.

No Ministério da Justiça, o escolhido foi o líder do MoDem, François Bayrou, outro dos apoiadores de Macron na campanha eleitoral. Jean-Yves Le Drian, também do PS, passará do Ministério da Defesa - na gestão do ex-presidente François Hollande - para o posto estratégico de Ministro da Europa e das Relações Exteriores. No cargo, Le Drian será encarregado de negociar a reforma da União Europeia, que Macron propôs à chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Já para a Defesa, agora chamado de Ministério das Forças Armadas, a escolhida foi a eurodeputada Sylvie Goulart, do MoDem.

No campo das finanças, os nomes escolhidos são oriundos do partido conservador Republicanos – confirmando a promessa de Macron de reunir talentos de diferentes espectros ideológicos. O Ministério da Economia ficará a cargo de Lemaire, que é considerado um dos mais promissores nomes republicanos, tendo sido pré-candidato em novembro. Já o Ministério das Contas Públicas, novo nome do Ministério das Finanças, ficará a cargo de Gérard Darmanin, também republicano de apenas 34 anos, hoje vice-presidente da região Ile-de-France, onde Paris está localizada.

Os indicados trabalharão sob o comando do primeiro-ministro, Édouard Philippe, também do partido Republicanos. A primeira posse aconteceu nesta quarta-feira, quando Collomb assumiu o Ministério do Interior. Uma de suas promessas é recriar uma "polícia comunitária", que havia sido extinta pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy.

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