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Governo mexicano anuncia desarmamento de milícias de autodefesa

O Estado de S. Paulo

04 Abril 2014 | 12h 28

Grupos surgiram em 2013 para combater a organização criminosa 'Cavaleiros Templários'

MORELIA - O governo do México iniciará nos próximos dias o desarmamento dos grupos civis de autodefesa que surgiram em 2013 no sudoeste do Estado de Michoacán, anunciaram na quinta-feira fontes oficiais. Os grupos surgiram para combater a organização criminosa dos "Cavaleiros Templários".

O comissário federal para a Segurança e o Desenvolvimento Integral de Michoacán, Alfredo Castillo Cervantes, informou que o governo federal também iniciará a retirada das barricadas que existem nos 30 municípios em que operam as milícias.

Os integrantes dos grupos passarão a fazer parte do Corpo de Defesas Rurais do Exército Mexicano, que inclui civis em tarefas de segurança nas comunidades e pequenos povoados. Castillo afirmou que os grupos de autodefesa já foram notificados e seus integrantes terão que entregar os fuzis AK-47 e AR-15 e pistolas de diferentes calibres.

Estanislao Beltrán, um dos porta-vozes das milícias de autodefesa, afirmou que seus companheiros vão aderir às leis mexicanas e colaborarão com o governo do país.

O ministro de Governo (Interior), Miguel Ángel Osorio Chong, disse que o desarmamento ocorre após a operação do governo federal que terminou com a morte e/ou prisão dos principais líderes dos "Cavaleiros Templários".

Em janeiro, as autoridades federais iniciaram uma operação especial para Michoacán, que resultou na morte, em março, de Nazario Moreno González, conhecido como "El Chayo", e Enrique Plancarte Solís, conhecido como "Kike", os dois principais líderes da organização criminosa. Dionisio Loya Plancarte, tio de "Kike" e número 3 na linha de comando dos "Cavaleiros Templários", foi detido por forças federais.

O governo mexicano busca ainda Servando Gómez Martínez, conhecido como "La Tuta", que teria assumido a liderança da organização, enfraquecida pelas ações governamentais.

As milícias de autodefesa surgiram no dia 24 de fevereiro de 2013, na região chamada de Tierra Caliente de Michoacán, para combater a organização criminosa acusada de narcotráfico, sequestros, homicídios, extorsões e outros crimes. Esses grupos civis operam em 30 dos 113 municípios de Michoacán, e na maioria dos casos são vigiados e acompanhados pela Polícia Federal em ações contra o crime organizado./ EFE