AFP PHOTO / SAUL LOEB
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EUA revisarão acordo sobre o programa nuclear iraniano

Secretário de Estado diz que pacto de 2015 não impede que o Irã se torne uma nova Coreia do Norte no futuro

Cláudia Tevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2017 | 05h46
Atualizado 19 Abril 2017 | 19h56

O governo Donald Trump elevou nesta quarta-feira, 19, o tom em relação ao Irã e anunciou a revisão do acordo sobre o programa nuclear iraniano, sob o argumento de que ele não conterá as ambições atômicas de Teerã. Segundo o secretário de Estado, Rex Tillerson, a república islâmica poderá se tornar uma nova Coreia do Norte se não forem impostos limites mais rigorosos à sua atuação na área nuclear.

“Os Estados Unidos estão interessados em evitar a produção de mais uma prova de que a paciência estratégica é uma abordagem fracassada”, afirmou Tillerson, em relação à posição adotada por diferentes administrações dos EUA em relação a Pyongyang. 

Em documento enviado hoje ao Congresso, o secretário informou que o Irã está cumprindo sua parte no acordo de 2015. Ainda assim, ele informou que o governo avaliará se a suspensão de sanções econômicas contra o país atende ao interesse nacional dos EUA. 

Horas após enviar o documento ao Congresso, o secretário anunciou uma abrangente revisão da política dos EUA em relação ao Irã, que trate de “todas as ameaças” representadas pelo país. “O Irã é o principal Estado patrocinador de terrorismo do mundo e é responsável por intensificar múltiplos conflitos e minar os interesses americanos em países como Síria, Iêmen, Iraque e Líbano, além de apoiar ataques contra Israel”, declarou. “Um dos erros do acordo é que ignora completamente todas outras ameaças sérias que o Irã representa.”

Na avaliação de Tillerson, o acordo “compra” o país por curto espaço de tempo e transfere o problema de suas ambições nucleares para outros governos. “Um Irã sem controle tem o potencial de percorrer o mesmo caminho que a Coreia do Norte e levar o mundo com ele.”

O pacto de 2015 entre Irã, EUA e outros cinco países foi uma das principais realizações diplomáticas de Barack Obama e levou Teerã a suspender parte de sua atividade nuclear em troca do levantamento de sanções.

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