Governo venezuelano volta a acusar os EUA de tentar desestabilizar país

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, voltou a criticar na madrugada de ontem a oposição e o governo dos Estados Unidos, depois de o promotor público Franklin Nieves tê-lo acusado de fraudar o julgamento do opositor Leopoldo López. O líder chavista acusou "a direita" de dividir o país para que a Venezuela "se curve" aos interesses dos americanos.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 02h04

A chanceler Delcy Rodríguez chamou de "insolentes" as críticas feitas ao longo da terça-feira pelo governo de Washington. Em discurso na TV estatal, Maduro comparou a situação atual com a criada por José Tomás Boves, líder militar espanhol que lutou contra os republicanos na Guerra da Independência da Venezuela. Ele também rechaçou as declarações dadas pelo chefe do comando sul das Forças Armadas dos EUA, general John Kelly, sobre a crise econômica do país.

"A direita de hoje é como Boves, que buscava o descontentamento de alguns cidadãos para a destruição da própria pátria", disse Maduro. "Quem dirige a política americana para a Venezuela, senhor Obama? Você ou o general Kelly?"

Mais tarde, o Ministério das Relações Exteriores também criticou Washington. "A Venezuela rechaça as insolentes declarações do porta-voz do Departamento de Estado John Kirby, que ataca os poderes públicos da nossa pátria", diz a nota assinada pela ministra. "Como os Estados Unidos têm o atrevimento de falar em falta de independência judicial se lá também cabe ao presidente nomear os juízes da Suprema Corte?"

Na terça-feira, o departamento de Estado americano disse que, se as denúncias do promotor Nieves forem comprovadas, ficará evidente a falta de independência judicial e o do respeito ao devido processo na Venezuela. Já o general Kelly declarou que a Venezuela passa por uma crise humanitária terrível, com falta de produtos básicos, como itens de higiene, remédios e alimentos.

"Kelly está se metendo em assuntos que são nossos e de mais ninguém", acrescentou o presidente. "E ele é o maior fracassado do mundo na luta contra o narcotráfico."

Denúncia. Nieves, um dos encarregados do caso do opositor venezuelano Leopoldo López, afirmou ontem, em uma entrevista em Miami à CNN Espanhol, que López é inocente, que todas as provas apresentadas contra ele são falsas e "o prenderam porque temem sua liderança" política.

"Leopoldo López é inocente. Prenderam-no porque temem sua liderança. Violaram os direitos humanos ao não permitirem a apresentação de provas no julgamento para refutar a alegação do que ele fez", disse Nieves, que fugiu para os EUA.

Segundo o promotor, a ordem de prisão foi dada por Maduro com o objetivo de tirar o líder opositor do "jogo político". "Uma das razões pelas quais decidi não abandonar o caso foi medo, por ser um promotor na Venezuela, e pelas pressões que exercem cada um de nossos chefes", disse o ex-funcionário. / AP e AFP

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