Anthony Devli/Reuters
Anthony Devli/Reuters

Grã-Bretanha negou salvo-conduto para Assange realizar exame em clínica, diz Equador

Governo equatoriano afirma ter feito o pedido após médica pedir ao fundador do Wikileaks se submeter a uma ressonância magnética

O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 09h43

QUITO - O governo do Equador afirmou na quarta-feira 14 ter pedido à Grã-Bretaha um salvo-conduto humanitário para que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, asilado na embaixada do país sul-americano em Londres, vá a uma clínica para se submeter a um exame médico, mas não obteve "resposta positiva".

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, explicou que o problema físico de Assange - fortes dores no ombro direito - foi detectado há cerca de três meses. A médica que o examina pediu que ele seja submetido a uma ressonância magnética para que tenha um diagnóstico preciso.

Esse tipo de exame não pode ser realizado na embaixada, mas em um local com equipamentos apropriados, afirmou o chanceler.

O governo do Equador pediu à Grã-Bretanha para que, "por uma razão estritamente humanitária, possa conceder um salvo-conduto" e permitir a ressonância. "Lamentamos informar que não tivemos uma resposta positiva", acrescentou o chanceler, que leu a carta enviada pelo governo britânico após o pedido equatoriano.

"O senhor Assange pode sair da embaixada a qualquer momento por qualquer assistência médica que precise, mas a ordem europeia de detenção está mantida", diz a carta lida por Patiño.

Segundo o chanceler, a resposta equivale a dizer que Assange "pode sair, mas será preso" assim que deixar a legação diplomática. "Entendemos as razões que eles podem ter como governo, no entanto, certamente, inclusive em situações de guerra, em situações de conflito de outra natureza, por razões humanitárias é concedido este tipo de salvo-conduto", opinou Patiño.

O chanceler equatoriano também informou na entrevista que recebeu um comunicado no qual o governo britânico adverte que, devido à "demora contínua" da presença de Assange na embaixada, revisará sua cooperação futura com o Equador.

"Nós não aceitamos ameaças de nenhum tipo, de nenhum país, por mais importante que se possa crer", declarou Patiño, ao reiterar que "a solução rápida" para a situação "nunca dependeu" do governo do Equador.

Patiño lembrou que Assange está em uma situação especial de proteção e asilo, por isso são necessários compromissos de assistência penal internacional. "Parece que, em novembro, as autoridades do Ministério da Justiça da Suécia virão ao Equador para analisar nossas observações" sobre uma proposta do país escandinavo que pode levar a um acordo de assistência penal internacional, declarou Patiño.

Assange se refugiou na embaixada do Equador após perder um processo legal em Londres contra sua extradição à Suécia, pois considerou que se fosse entregue, poderia acabar extraditado para os Estados Unidos, onde teme ser condenado à morte por ter vazado informações sigilosas sobre o país.

Embora o Equador tenha concedido asilo político ao australiano, a Grã-Bretanha se negou a lhe conceder um salvo-conduto de saída do país, argumentando que está obrigada por lei a extraditá-lo para a Suécia. /EFE

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