AP Photo/Petros Giannakouris
AP Photo/Petros Giannakouris

Grécia volta a deportar refugiados para Turquia e devolve 140 pessoas

Na segunda-feira, os gregos devolveram ao território turco os primeiros 202 imigrantes, mas depois tiveram que suspender a operação diante da avalanche de solicitações de asilo

O Estado de S. Paulo

08 Abril 2016 | 09h49

ATENAS - A Grécia retomou na manhã desta sexta-feira, 8, a devolução de imigrantes e refugiados para a Turquia, que estava suspensa desde segunda-feira, e iniciou a deportação de 140 pessoas.

Às 4h (horário local) saiu a primeira embarcação das Ilhas de Kos e Samos em direção a Lesbos, com 95 refugiados. Espera-se que esta lancha chegue em breve a Lesbos, de onde partiu rumo à Turquia às 8h uma segunda embarcação com 45 pessoas, todas de nacionalidade paquistanesa.

O grupo havia sido transferido do centro de detenção de Moria para o porto da ilha, onde um grupo de ativistas protestou contra as deportações. Três pessoas, dois homens e uma mulher, se jogaram na água e se penduraram na âncora do navio, que já estava partindo, com o objetivo de evitar que a embarcação pudesse seguir viagem.

Cerca de duas dezenas de policiais turcos uniformizados organizaram o desembarque da balsa assim que ela atracou na cidade turca de Dikili, acompanhada de duas embarcações da Guarda Costeira da Turquia.

Na segunda-feira, a Grécia devolveu à Turquia os primeiros 202 imigrantes e refugiados, a maioria paquistaneses e afegãos, mas também bengaleses e sírios. Posteriormente, teve que suspender a operação diante da avalanche de solicitações de asilo, sendo que a maioria delas não pode ser processada em razão da falta de pessoal do Escritório Europeu de Assistência ao Asilo.

Enquanto isso, diversas ONGs criticaram a situação nos campos de detenção como o de Moria, onde mais de 3 mil pessoas se amontoam, em muitos casos sem contar com informação e atendimento legal suficientes.

Contudo, o governo grego não consegue convencer os milhares de imigrantes e refugiados que se encontram nos acampamentos improvisados do porto ateniense de Pireu e de Idomeni, perto da fronteira com a Macedônia, a serem transferidos para centros organizados.

Na quinta-feira, as autoridades do Porto de Pireu somente conseguiram transferir para outros centros cerca de 70 das 4.660 pessoas que se encontravam no porto. O objetivo era esvaziar o píer, que é a artéria principal do tráfego marítimo para as ilhas gregas, antes do início das férias da Páscoa ortodoxa.

Segundo o pacto entre União Europeia e Turquia, Ancara receberá de volta todos os imigrantes e refugiados, incluindo sírios, que entrarem na Grécia por meio de rotas irregulares, e em troca o bloco acolherá milhares de refugiados sírios diretamente da Turquia e recompensar o país com dinheiro, a antecipação da liberação de vistos de entrada para seus cidadãos e avanços no processo da filiação turca ao bloco europeu. /EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.