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Greenwald defende Snowden no Brasil

Alessandro Giannini - O Estado de S.Paulo

06 Junho 2014 | 04h 01

Jornalista americano, que está lançando mais um livro sobre espionagem da NSA, diz que País ganhou estatura ao denunciar abusos da agência

Glenn Greenwald está de volta ao Brasil. Depois de encontrar na Rússia com Edward Snowden, ex-prestador de serviços da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na siga em inglês), ele agora promove o seu novo livro, Sem Lugar Para se Esconder (editora Sextante), no país que adotou e considera um exemplo na defesa de direitos humanos e individuais.

"Eu me sinto seguro aqui, apesar de todas as ameaças externas que recebi enquanto fazia as reportagens", disse ele ao Estado, de um hotel no Rio, em entrevista por telefone.

Por essa razão, Greenwald considera a opção de Snowden pelo Brasil como refúgio não só viável, mas a melhor no momento em razão da estatura que o país ganhou. "O Brasil foi muito importante para o debate (das atividades da NSA) por sua força e independência", disse ele. "O discurso da presidente Dilma na ONU denunciando a espionagem foi muito importante e impressionou Snowden."

O advogado e jornalista revela no novo livro os bastidores da série de reportagens publicadas pelo jornal britânico The Guardian em 2013, sobre a espionagem em larga escala realizada pela NSA.

Logo após o lançamento do livro, no mês passado, EUA e China trocaram acusações sobre espionagem industrial, a amplitude da vigilância e os métodos utilizados para obter dados sensíveis para a economia de ambos os países. Os americanos acusaram cinco oficiais militares chineses, enquanto os chineses responderam que foram alvo de vigilância e roubo de dados em larga escala.

Greenwald disse que, antes das revelações feitas por Snowden, os EUA acusavam a China de ser mais agressivo na espionagem. "Depois, o que se verificou foi o contrário", acrescentou. "Os americanos são muito mais agressivos na coleta de dados e no uso deles para benefício de sua economia."

O jornalista também comentou o projeto de lei aprovado por uma comissão da Câmara de Deputados nos EUA que regulamenta e limita as atividades da NSA. Segundo ele, o texto é fraco e tem como objetivo manter as coisas "como estão". "Internamente, há muita gente com raiva", disse ele. "Por isso, o governo apresentou as leis, mas é uma estratégia para preservar as atividades da agência. É um avanço, mas ainda fraco."

Greenwald disse que ainda há muito material inédito a ser divulgado dos arquivos de Snowden, até mesmo sobre o Brasil. Mas em razão do volume de dados é preciso de tempo para triá-los. Foi por isso que antecipou o lançamento do site noticioso The Intercept. "Seria necessário um período de 9 meses a um ano para colocar o site em ordem antes de lançá-lo", explicou. "No caso do Intercept, resolvemos lançá-lo para publicar as reportagens sobre a NSA."

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