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Grupo de extrema direita invade centro de Bruxelas e entoa cantos de ódio e racismo

- Atualizado: 28 Março 2016 | 07h 34

Protestos ocorreram na Praça da Bolsa, local que se tornou símbolo de solidariedade e resistência por conta dos recentes atos terroristas

BRUXELAS - Ignorando o momento de comoção no país após os atentados terroristas desta semana, um grupo de extrema direita belga invadiu o centro de Bruxelas, na tarde deste domingo, 27, entoando cantos de ódio e de racismo. O lugar escolhido para seus protestos foi justamente a Praça da antiga Bolsa (Place de La Bourse), local que se tornou símbolo de solidariedade e resistência por conta dos atos dos últimos dias.

A maior parte do grupo formado por cerca de 400 hooligans partiu da cidade de Antuérpia, no interior do país. São manifestantes de extrema-direita e ligados a diversas torcidas de times de futebol belgas. A polícia ordenou que comerciantes fechassem seus estabelecimentos pouco antes da passagem do grupo pelo caminho.

Ao desembarcarem no centro histórico de Bruxelas, os hooligans marcharam em direção à Praça da Bolsa

Ao desembarcarem no centro histórico de Bruxelas, os hooligans marcharam em direção à Praça da Bolsa

Ao desembarcarem no centro histórico de Bruxelas, por volta das 15 horas locais, os hooligans marcharam em direção à Praça da Bolsa. No local, desde o dia dos atentados, pessoas permanecem nas escadarias onde cantam músicas de paz, estendem bandeiras de várias nações, colocam flores, velas acesas e escrevem mensagens de apoio no chão e nas paredes do prédio histórico.

Para evitar o encontro entre os dois grupos, a polícia montou um grande cerco de isolamento. Em seguida, diversas ruas da região também foram fechadas por bloqueios policiais, cercando todas as saídas dos militantes extremistas. Ninguém podia entrar, nem mesmo moradores da região.

A reportagem do Estado estava na região no momento em que ruas foram fechadas por furgões da polícia. Muitas pessoas não sabiam ao certo o que se passava, e imaginavam que alguma autoridade estivesse visitando o local das homenagens. Enquanto isso, manifestantes pacíficos que estavam na região foram liberados para sair, enquanto o cerco aos hooligans se fechava. As forças de segurança precisaram receber reforço de outras cidades belgas para conter a manifestação, e inundaram o centro com suas forças especialistas em confrontos, com escudos e armas de dissuasão de multidões.

Os hooligans foram expulsos da Praça da Bolsa, mas promoveram atos de vandalismo em outras áreas do centro da cidade. Cercados novamente pela polícia, foram colocados em dois trens de volta para suas cidades. Alguns deles foram detidos para prestar esclarecimentos.

A manifestação da extrema-direita provocou uma divisão política com críticas de lado a lado. “Estou escandalizado com o que está acontecendo, por constatar que esses crápulas, com visuais de nazistas, vieram aqui provocar os moradores nos locais de suas homenagens”, disse o prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, que também criticou o governo federal.

Vítimas dos ataques em Bruxelas recebem homenagens pelo mundo
REUTERS/Philippe Wojazer
Homenagem a Bruxelas

Torre Eiffel, na França, é iluminada com as cores da bandeira belga (preto, amarelo e vermelho) em homenagem às vítimas dos atentados terroristas ocorridos em Bruxelas. Os ataques deixaram mais de 30 mortos e 200 feridos

“É uma vergonha para o país. Fomos avisados ontem (sábado) a respeito da possibilidade da vinda deles, que viriam para limpar os ‘bougnoules’ (termo pejorativo usado para os imigrantes árabes e do norte da África) de Bruxelas. E eu constato que nada foi feito para impedi-los”, disse o prefeito, que acrescentou esperar uma reação do governo federal.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, alvo das reclamações do prefeito, também condenou o ato. “Eu exijo respeito a um momento de luto por todo o país. É certamente inapropriado que os manifestantes rompam esse período de contemplação e homenagens na Bolsa de Bruxelas. As pessoas se reuniram ali para encontrar um conforto. Eu condeno firmemente esses atos”, declarou Charles Michel.

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