Guerrilha paraguaia assume mortes e promete continuar

O grupo insurgente Exército do Povo Paraguaio (EPP) anunciou, por meio de comunicado, que continuará com suas ações criminosas, em represália "à oligarquia que comanda o país". O comunicado foi lido na rádio Primero de Marzo, de Assunção. Um homem com sotaque caipira, que se identificou como Máximo Brizuela, pediu permissão ao locutor Alfonso León para ler o comunicado ontem à noite.

AE-AP, Agência Estado

11 Maio 2010 | 16h29

"A partir de algum ponto nas montanhas do norte, o comando número sete, Mariscal López, do EPP, informa que foram executados quatro jagunços, um dos quais policial, no dia 21 de abril nas imediações das fazendas Guarani e Santa Adelia", no departamento (Estado) de Concepción, assinalou Brizuela. "Esclareço que o acerto de contas aconteceu em represália ao assassinato de camponeses de comunidades vizinhas às estâncias, sob as mãos de capitães do mato estrangeiros".

Brizuela anunciou que "o EPP busca a libertação do povo, que sofreu muito por causa da oligarquia e da classe dominante". "O EPP atuará com violência até derrotar completamente a oligarquia, para que se instaure a felicidade do povo. O EPP tomará esse tipo de medidas quantas vezes forem necessárias", enfatizou. Brizuela negou-se a revelar o número da sua carteira de identidade, explicando que "esse número pode ser pedido aos chefes de polícia corruptos".

Reação

Desde 25 de abril, está em vigor o estado de exceção nos departamentos nortistas de Concepción, San Pedro e Amambay, e também nos departamentos do nordeste paraguaio Villa Hayes e Alto Paraguay. Miguel López, chefe de gabinete do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, minimizou a importância do comunicado, ao dizer que não existe a possibilidade de verificar a identidade do porta-voz: "Qualquer pessoa pode fazer um telefonema e dizer bobagens".

Não obstante, a procuradora antissequestro do Paraguai, Sandra Quiñónez, encarregada de coordenar a captura dos integrantes do EPP, tem outro ponto de vista: "O porta-voz usou, na introdução do comunicado, um estilo que é peculiar às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que habitualmente diz ''a partir de algum lugar nas montanhas''" colombianas.

Segundo ela, o Ministério Público começou a investigar a origem da chamada telefônica à rádio. Carmelo Caballero, vice-ministro de segurança do Ministério do Interior, admitiu que "não é fácil desmantelar o EPP, que já tem dez anos de formação e organização, mas o governo não descansará enquanto não desintegrar o grupo".

Luta armada

O EPP, uma dissidência do partido de esquerda Pátria Libre, sem representação parlamentar, começou sua insurgência no final da década de 1990 com assaltos a bancos e sequestros. Em 2001, sequestrou Edith Debernardi, nora de um ex-ministro de Economia do Paraguai. Ela foi libertada após o pagamento de um resgate de US$ 2 milhões. Em 2003, o governo paraguaio capturou os dois comandantes do EPP e 13 combatentes do grupo.

Mesmo assim, o grupo continuou a operar e em 2004 realizou sua ação mais violenta, sequestrando Cecilia Cubas Gusinsky, filha do ex-presidente Raúl Cubas Grau. Cecilia, então com 31 anos, foi assassinada pelo EPP, apesar da família ter pago o resgate de US$ 800 mil. Dezesseis criminosos do EPP foram capturados. Apesar do aumento da repressão, o EPP voltou à prática dos sequestros em 2008, também passando a atacar postos das forças de segurança no interior. Em 21 de abril deste ano, o grupo matou um policial e três empregados de fazendas.

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