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Guerrilha sunita diz estar marchando rumo a capital iraquiana

O Estado de S. Paulo

12 Junho 2014 | 09h 47

Insurgentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante já tomaram o controle de cidades de Tikrit, Baiji e Mossul

AP
Insurgentes sunitas tomam controle de Tikrit

BAGDÁ - Insurgentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) afirmaram nesta quinta-feira, que irão marchar rumo a capital iraquiana, Bagdá, espalhando medo e aumentando o temor de que o governo liderado pelos xiitas não consiga deter o avanço dos militantes - que já tomaram as cidades de Tikrit, Baiji e Mossul.

O avanço representa um duro golpe contra o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, que não conseguiu obter a maioria de votos necessários no parlamento para aprovar o estado de emergência no país. Grupos sunitas e curdos boicotaram a votação porque se opõem a dar poderes extraordinários ao premiê.

Em Tikrit, cidade natal do ditador Saddam Hussein, soldados e forças de segurança iraquianas abandonaram seus postos e o Isil tomou o controle de áreas que já foram controladas pelas tropas americanas. Os islamistas chegaram em cerca de 60 veículos a Tikrit, ocuparam a sede da administração provincial e hastearam a bandeira negra do Isil

Em Kirkuk, o Exército iraquiano também abandonou suas bases e forças curdas assumiram o controle. Em Baiji, a principal usina de refino de petróleo no território iraquiano voltou a ficar sob o controle do governo, afirmou o ministro do Petróleo Abdul Kareem Luaibi.

Ajuda. O embaixador do Iraque para a França pediu que o Conselho de Segurança da ONU aprove um pacote de ajuda militar extra para Bagdá. "Nós precisamos de equipamento, mais aviões e drones", disse Fareed Yasseen.

De acordo com o jornal The New York Times, citando autoridades americanas e iraquianas, Maliki pediu, secretamente, que os EUA considerem a possibilidade de realizar ataques aéreos contra os insurgentes.

Até agora, a Casa Branca negou a proposta e está relutante em abrir um novo capítulo no conflito que o presidente Barack Obama insiste ter terminado quando os EUA retiraram a última de suas tropas do Iraque, em 2011.

A Rússia afirmou estar preocupada com o avanço do Isil, que ameaça a integridade territorial iraquiana. "Estamos preocupados com o que está ocorrendo no Iraque. A integridade do Iraque está em questão", afirmou o ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov para a agência Interfax. / AP, EFE e NYT