Guerrilha tuaregue no Mali avança após golpe

Rebeldes aproveitam-se de vácuo de poder provocado por motim militar e preparam-se para tomar cidades

DACAR, O Estado de S.Paulo

24 Março 2012 | 03h08

Rebeldes tuaregues avançaram ontem no norte do Mali rumo a três cidades estratégicas, um dia depois de militares revoltosos terem deposto o presidente Amadou Toumani Touré. O golpe de Estado - motivado pela insatisfação militar com a demora do Executivo em debelar a revolta - foi condenado pela União Africana, União Europeia e EUA.

O vácuo de poder provocado pelo golpe facilitou o avanço rebelde. Em Kidal, Timbuktu e Gao, soldados do Exército abandonaram suas posições após os militares rebeldes terem tomado o palácio presidencial em Bamako, a capital do país, a 1,3 mil km da região onde atua a guerrilha tuaregue.

Segundo o comandante militar rebelde Dilal ag Alsherif, a cúpula militar malinesa está dividida após o golpe e a guerrilha está se aproveitando disso. Os tuaregues dizem ser marginalizados pelo governo central.

"Estamos no momento muito perto de Kidal", disse Alsherif.

A cidade de Anefis fora tomada pelos rebeldes na quinta-feira. Até a noite de ontem, moradores de Timbuktu, importante cidade histórica do país, e Gao temiam a invasão tuaregue. Milícias autônomas preparavam-se para defender as duas cidades.

Contragolpe. Em Bamako, a TV estatal, que tinha saído do ar, voltou a funcionar ontem. Os militares amotinados ergueram barricadas em volta do prédio da TV, temendo um contragolpe de oficiais ainda leais a Touré.

Moradores dizem que os soldados rebeldes iniciaram uma onda de saques, que acabou tendo a adesão de civis, e também roubaram carros e postos de gasolina.

A União Africana anunciou ontem a expulsão do Mali do grupo e garantiu que o presidente está fora da capital, sob a proteção de militares oficialistas. "Ele está a salvo, perto de Bamako", disse o secretário-geral da UA, Jean Ping. "Acredito que os oficiais golpistas não tiveram sucesso em obter apoio do Exército."

A União Europeia condenou o golpe malinês e pediu o retorno à institucionalidade democrática o quanto antes. As eleições no país, um raro oásis de democracia na África Ocidental, devem ocorrer em abril.

Um missionário brasileiro, integrante de um grupo de 30 que está no país, relatou por e-mail ao Estado que a luz e a água foram cortadas em Bamako. Ele acrescentou que rebeldes disparam a esmo pela rua e o aeroporto e as fronteiras do país estão fechadas. / AP e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.