Alto Comissariado para a Paz / Efe
Alto Comissariado para a Paz / Efe

Guerrilheiros das Farc iniciam desarmamento na Colômbia

Governo e guerrilha proclamaram nesta quarta-feira o fim dos 52 anos de conflito; próximo passo do presidente Santos é negociar com o ELN

O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2017 | 16h30

PONDORES - O governo colombiano e as Farc, principal guerrilha do país, proclamaram nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, o fim dos 52 anos de conflito armado em um ato celebrado no norte do país, após a mobilização de 6.300 guerrilheiros para as zonas onde será realizado o desarmamento do grupo. Generais do Exército, policiais e integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia apertaram as mãos na celebração. 

"A paz é uma realidade com as Farc na Colômbia", afirmou o chefe do Comando Estratégico de Transição, o general Javier Flórez, diante de mais de cem guerrilheiros em Pondores, no Departamento (Estado) de Guajira. Também estavam presentes o alto comissário para a paz, Sergio Jaramillo, e o negociador das Farc, Luciano Marín Arango, conhecido como Iván Márquez.

Em botes e canoas a partir de lugares remotos, a pé ou em caminhões por inóspitas estradas, os combatentes das Farc carregaram seus pertences, em muitos casos acompanhados por seus animais de estimação, e se deslocaram desde o fim de semana, sob a supervisão do governo e da ONU, até as regiões onde ficarão por seis meses, até entregarem todas as armas.

"Nesses dias vimos caravanas de caminhões e ônibus levando os integrantes da guerrilha a essas regiões onde cumprirão o compromisso de se reincorporarem à sociedade", afirmou o presidente Juan Manuel Santos, acrescentando que o desarmamento da guerrilha "que parecia um sonho, hoje é realidade". 

A concentração dos guerrilheiros estava prevista para 31 de dezembro de 2016 no acordo de paz definitivo assinado em novembro, mas foi postergado para 31 de janeiro após problemas logísticos na estrutura das chamadas zonas veredais. Na ocasião, Santos, vencedor do Nobel da Paz de 2016 pelos esforços no processo com as Farc, reconheceu o "desafio" de adequar os lugares pela dificuldade de acesso e falta de infraestrutura.

ELN. O fim da mobilização das Farc para as 23 zonas veredais ocorre um dia antes de mais um passo importante para que o Exército da Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha do país, inicie formalmente as conversas de paz com o governo do presidente Santos.

Nesta quinta-feira, o ex-parlamentar Odín Sánchez - que está em poder da guerrilha desde abril do ano passado - será entregue a delegados dos países garantidores do processo de paz, do governo e da Cruz Vermelha. A libertação de Sánchez é exigida por Santos para que a mesa de negociações possa ser instalada.

As conversas de paz vão ocorrer em Quito, Equador, e devem iniciar na terça-feira 7. Com o fim do conflito com as Farc, o governo de Santos espera com as negociações com o ELN conseguir a "paz completa" na Colômbia. /AFP e EFE

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