EFE
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Guru indiano é condenado a 20 anos de prisão por estupro

Gurmeet Ram Rahim Singh, que já está detido na prisão de Sunaria, no Estado de Haryana, foi declarado culpado na sexta-feira, mas só teve a pena revelada nesta segunda; protestos contra condenação deixaram 38 mortos no norte do país

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 09h37
Atualizado 28 Agosto 2017 | 13h14

Correções: 28/08/2017 | 12h56

ROHTAK, ÍNDIA - Um juiz da Índia sentenciou a 20 anos de prisão nesta segunda-feira, 28, o influente guru Gurmeet Ram Rahim Singh, condenado por estupro na semana passada. Um toque de recolher e uma forte presença policial com ordem de atirar para matar evitaram manifestações como as registradas na sexta-feira, que acabaram com 38 mortos, 250 feridos e quase 1 mil detidos.

Um porta-voz do Escritório Central de Investigação (CBI, na sigla em inglês), que apurou o caso, informou que Singh cumprirá duas penas consecutivas de 10 anos de prisão, uma para cada condenação por estupro. 

Anteriormente, autoridades do governo e advogados disseram à imprensa local e às agências internacionais que o guru cumpriria a sentença dupla simultaneamente por 10 anos. "Talvez tenha ocorrido um erro de comunicação" por parte das pessoas presentes na audiência, afirmou Abhishek Dayal, outro porta-voz do CBI, ao explicar o erro na comunicação da pena.

A.K.Panth, advogado do guru, disse que seu cliente é inocente e recorrerá das penas. Vipassana Insan, uma porta-voz do Dera Sacha Sauda, movimento liderado por Singh, pediu que os seguidores do líder espiritual respeitem a decisão da corte.

Nesta segunda-feira, dezenas de milhares de policiais impuseram bloqueios em grandes partes de Haryana e Punjab, Estados do norte do país nos quais Singh, de 50 anos, tem uma legião de seguidores.

A polícia de Haryana deu ordem para atirar sem hesitação em manifestantes antes da divulgação da condenação e determinou que a audiência fosse realizada dentro da prisão onde Singh está detido - um juiz foi levado de helicóptero até a prisão de Sunaria, onde o guru está detido, para comunicá-lo da pena.

A prisão foi transformada em uma fortaleza, os jornalistas foram obrigados a ficar a 1,6 quilômetro de distância e as estradas foram guarnecidas de barricadas de arame farpado.

O caso

O caso remonta a 2002, quando duas seguidoras acusaram Singh de estupro na sede de seu culto na cidade de Sirsa. Ele enfrentava uma pena mínima de 7 anos, de acordo com as novas leis contra estupro.

Singh, conhecido por gostar de joias e por suas roupas chamativas, lidera a organização espiritual Dera Sacha Sauda e afirma contar com 50 milhões de seguidores na Índia. Além disso, o guru protagonizou em 2015 um filme sobre em sua vida e, um ano antes, publicou um disco que vendeu três milhões de cópias em apenas três dias. 

Esta não é a primeira vez que Singh se encontra no centro de uma polêmica. Em 2015 ele foi acusado de ter incentivado 400 de seus discípulos a se castrar para ficar mais próximo dos deuses. Além disso, foi processado em uma investigação do assassinato de um jornalista em 2002. / EFE, AFP e REUTERS

Correções
28/08/2017 | 12h56

Inicialmente, tanto as agências internacionais quanto a imprensa indiana falavam em uma pena de dez anos de prisão em razão de uma confusão durante a leitura da sentença, feita a portas fechadas 

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