1. Usuário
Assine o Estadão
assine
Entrevista. María Corina Machado

Deputada opositora cassada pelo chavismo acusa Maduro de forjar provas para prendê-la e pede apoio internacional à oposição

'Há uma confabulação para me perseguir'

Andreza Matais

02 Junho 2014 | 06h 00

BRASÍLIA - Na iminência de ser presa, a deputada cassada María Corina Machado, uma das principais líderes da oposição venezuelana, diz que o governo violou o processo movido pela Justiça do país contra ela em razão de perseguição política. Corina é acusada pelo chavismo de tramar um golpe de Estado contra o presidente Nicolás Maduro. “Uma prova que deveria ser de reserva absoluta do Judiciário foi entregues ao partido do governo”, disse a deputada por telefone ao Estado. “Isso só mostra a confabulação de todos os poderes públicos para montar uma perseguição política.” A seguir, trechos da entrevista:

Por que sua prisão foi pedida?

Em primeiro lugar, todos esses e-mails são falsos, inventados e fabricados. É muito fácil demonstrar que eu não estava em Caracas, quando disseram que tive reuniões sobre o assunto. Eu estava no Panamá e no dia anterior, nos EUA. Eu estava viajando há três semanas. Essa gente mente de uma maneira descarada.

A senhora acusa o governo de ter falsificado os e-mails?

No ano passado, invadiram essa conta. Voltaram a utilizá-la agora. É uma farsa totalmente absurda e muito fácil de desmontar. Há outro ponto. Eu sei que o governo espia meus e-mails, meus telefonemas, minhas conversas privadas. Então, como iria escrever essas barbaridades num e-mail que sei que o governo pode ler?

A sra. tem medo da prisão?

Uma prova que deveria ser de reserva absoluta do Judiciário foi entregue para o partido do governo. Isso só mostra a confabulação de todos os poderes públicos para montar uma perseguição política. Como não conseguiram me calar, querem me mandar à prisão.

A sra. não irá pedir asilo?

Eu estou comprometida com os venezuelanos e vou lutar junto com o povo nas ruas. Eu estou com os que estão sendo torturados e as mães das vítimas dessa violência.

A sra. tem recebido apoio?

Recebo cartas de parlamentares de todo o mundo. Quero dizer, em particular ao Brasil, que quando se diminui a pressão e a atenção internacional sobre a Venezuela, a repressão aumenta.