AFP Photo/JOE RAEDLE
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Haitianos dos EUA repudiam decisão de Trump de revogar vistos temporários

Presidente decidiu extinguir programa que beneficiava 59 mil imigrantes que deixaram o país após terremoto de 2010

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 13h22

WASHINGTON - Imigrantes do Haiti criticaram  nesta quarta-feira, 22, a decisão do presidente Donald Trump de encerrar um programa que proporcionou 59 mil vistos temporários a cidadãos do país após o terremoto de 2010.

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Qualquer haitiano que não conseguir obter outro tipo de visto estará sujeito a ser deportado de volta para o país caribenho, onde algumas das vítimas do terremoto continuam sem moradia e que ainda sofre os efeitos do furacão Matthew, de um surto de cólera e da instabilidade política.

“Fomos deixamos em um vácuo”, disse Sebastian Joseph, imigrante haitiano de 26 anos que mora em Flatbush, região do bairro nova-iorquino do Brooklyn que concentra haitianos e outros caribenhos.

Ele disse que praticamente todos seus compatriotas querem ficar nos EUA, onde construíram um nicho nos setores da construção e de serviços de saúde, como cuidar de idosos e doentes.

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Os Estados Unidos ofereceram o chamado Status Protegido Temporário (TPS, na sigla em inglês) a haitianos após o tremor de janeiro de 2010 que matou cerca de 300 mil pessoas e devastou uma nação que há tempos é a mais pobre das Américas.

O governo do ex-presidente Barack Obama renovou o programa várias vezes por considerar as condições no Haiti difíceis demais para enviar seus beneficiários para casa. Já a gestão do presidente Donald Trump, que inicialmente concedeu uma renovação de seis meses, anunciou na segunda-feira que encerrará o TPS para o Haiti em julho de 2019.

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Os apoiadores de Trump ressaltam que o programa de vistos sempre foi considerado temporário e que o líder americano fez campanha em 2016 prometendo políticas imigratórias restritivas.

Uma beneficiária do TPS moradora do Brooklyn aceitou que eventualmente terá que voltar. “Se eles dizem que tenho 18 meses e é isso, digo graças a Deus, e depois irei”, disse Margaret Etienne, que há três anos teve um filho que hoje é cidadão dos EUA. “É o meu país. Eu amo meu país”.

Ao encerrar o TPS, a secretária de Segurança Interna interina, Elaine Duke, disse ter determinado que “as condições extraordinárias, mas temporárias, causadas pelo terremoto de 2010 não existem mais”.

Alguns críticos duvidam da recuperação haitiana e questionam como Duke chegou a tal conclusão. O senador Marco Rubio, um republicano da Flórida, Estado com maior número de haitianos, exortou Trump a prorrogar o TPS, alertando que “os haitianos enviados de volta para casa enfrentarão condições duras, incluindo falta de moradia, serviços de saúde inadequados e pouca perspectiva de emprego”./ REUTERS

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