Mahmud Hams/AFP
Mahmud Hams/AFP

Hamas aceita devolver poder na Faixa de Gaza à Autoridade Palestina

Dez anos após assumir controle do território, grupo se aproxima de Mahmoud Abbas e tenta superar diferenças entre as duas principais facções políticas palestinas; decisão é recebida com cautela e desconfiança em Israel e na Cisjordânia

O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2017 | 11h10
Atualizado 17 Setembro 2017 | 19h51

CIDADE DE GAZA - O Hamas anunciou neste domingo, 17, que aceitou as condições impostas pelo seu maior rival político, o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, que preside a Autoridade Palestina (AP), e dissolverá seu governo na Faixa de Gaza. Se for bem-sucedido, o acordo pode acabar com uma década de disputas entre as duas facções e abrir caminho para a reunificação palestina.

O Hamas governa Gaza desde 2007. Em comunicado, o grupo afirmou que a decisão deste domingo “responde aos esforços do Egito, que refletem a vontade de pôr fim à separação, de conseguir a reconciliação e a unidade nacional”. O Hamas declarou ainda ter dissolvido a comissão encarregada da administração de Gaza, convidou o governo de Abbas a regressar ao enclave e disse estar pronto para a realização de novas eleições gerais em Gaza e na Cisjordânia, território controlado pelo Fatah.

O rompimento entre os dois principais grupos políticos palestinos ocorreu em 2007, quando o Hamas venceu a eleição na Faixa de Gaza, um território de 2 milhões de habitantes, e expulsou as forças leais a Abbas, deixando o presidente da Autoridade Palestina responsável apenas pelas zonas autônomas da Cisjordânia.

Desde então, todas as tentativas de reconciliação fracassaram. Israel considera o Hamas um grupo terrorista e estabeleceu, junto com o Egito, um bloqueio dos postos de fronteira, isolando o território, enfraquecendo a posição do grupo e a economia de Gaza.

Em maio, o Hamas modificou pela primeira vez em sua história seu programa político, aceitando um Estado palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967, mas sem que isso representasse o reconhecimento do Estado de Israel. Recentemente, o Egito intensificou a negociação com o Hamas e, na semana passada, Abbas também enviou representantes para o diálogo.

A decisão anunciada hoje foi recebida com cautela pela Autoridade Palestina e por Israel. O analista israelense Kobi Michael disse que o anúncio foi um passo inteligente do Hamas. “Eles colocam sobre a AP a responsabilidade pela reconstrução de Gaza”, disse. “Mas um acordo é difícil, porque não acredito que o Hamas ceda o controle do território e Abbas sabe o desgaste que será assumir o governo de Gaza.”

Mahmoud al-Aloul, membro do comitê central do Fatah, disse que o anúncio é uma “notícia positiva”, mas afirmou estar cético sobre a conclusão de um acordo. “Queremos ver o fim da divisão, mas não queremos nos apressar com nossa reação a essa notícia. Há muitos detalhes que nós temos de lidar, com base em acordos anteriores”, afirmou. 

Analistas dizem que alguns obstáculos ainda impedem a conciliação palestina, entre eles a recusa do Hamas em colocar suas forças de segurança sob controle de Abbas, um ponto essencial que inviabilizou tentativas anteriores. 

Fatah e Hamas se aproximaram de um acordo semelhante em 2007, em Meca, em 2011, no Cairo, em 2012, em Doha, e em 2014, em Gaza. No entanto, as diferenças foram sempre um fator determinante para o fracasso das negociações. / AP, EFE, NYT e REUTERS

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