Hatem Khaled/EFE
Hatem Khaled/EFE

Hamas cede controle da fronteira entre Faixa de Gaza e Egito à Autoridade Palestina

Acordo de reconciliação negociado no Egito estabelece que a Autoridade Palestina deve assumir o controle total de Gaza até 1º de dezembro

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 15h58

GAZA - O movimento islamita Hamas, no poder na Faixa de Gaza, cedeu nesta quarta-feira, 31, à Autoridade Palestina o controle do ponto de passagem entre o território palestino e o Egito.

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O acordo de reconciliação negociado no Egito estabelece que a Autoridade Palestina, entidade reconhecida pela comunidade internacional - o que prefigura um futuro Estado palestino independente - deve assumir o controle total de Gaza até 1º de dezembro.

O ministro de Fronteiras da Autoridade Palestina, Nazmi Mouhanna, e seu colega do Hamas assinaram o acordo de transferência de responsabilidade, que faz parte do acordo de reconciliação concluído em 12 de outubro pelo Hamas e o Al-Fatah, as duas principais forças palestinas.

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Em uma cerimônia oficial, Muhana assumiu formalmente o controle dos pontos fronteiriços de Rafah, com o Egito, e de Kerem Shalom, com Israel. No terminal de Rafah, na fronteira com o Egito, bandeiras palestinas e egípcias foram hasteadas ao lado de grandes fotos dos presidentes palestino e egípcio, Mahmud Abbas e Abdel Fattah al-Sisi.

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Funcionários da Autoridade Palestina assumirão o controle total da fronteira, segundo Hisham Adwan, diretor de informação da administração de fronteiras do Hamas.

Cenário. O Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza em junho de 2007, após confrontos com os integrantes do Al-Fatah, seu rival político dirigido por Abbas. Essa transferência dos pontos de fronteira era considerada um primeiro teste para o novo acordo, depois do fracasso de várias tentativas de reconciliação nos últimos dez anos.

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"Não há verde ou amarelo. Todo o povo palestino está unido sob a bandeira palestina", afirmou o ministro da Habitação, Mufid al-Hasayneh, aludindo às cores das bandeiras dos partidos adversários.

Israel impõe um boqueio à Faixa de Gaza há uma década, alegando que é necessário controlar o movimento Hamas, que considera - assim como os Estados Unidos e a União Europeia - uma organização terrorista, e contra o qual já travou três guerras desde 2008.

O Egito, por sua vez, também fechou de forma regular sua fronteira com o encrave palestino. A passagem de Rafah não foi aberta na segunda-feira, apesar da transferência de seu controle para a Autoridade palestina. O Hamas espera que isso vá ocorrer nos próximos dias.

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Os dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza têm somente algumas horas de eletricidade por dia e vivem com escassez de água potável. O acordo de reconciliação palestino gerou a esperança de uma abertura mais frequente da fronteira egípcia, o que poderá atenuar as carências da população.

As principais facções palestinas se reunirão no Cairo no final do mês para negociar a formação de um governo de unidade. Israel declarou que rejeitaria qualquer governo de unidade que incluísse o Hamas se este movimento não se desarmasse e reconhecesse o direito de existência do Estado judeu.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), dirigida por Abbas, reconheceu Israel, mas o Hamas ainda não. / AFP

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